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2 de nov. de 2022

 

Ensino em ambiente natural

Ensino em Ambiente Natural – Uma abordagem centrada na motivação do estudante A Análise de Comportamento Aplicada (ABA) é uma ciência que possui 28 práticas baseadas em evidências para intervenção educacional e comportamental junto a crianças, adolescentes e adultos com Transtorno do Espectro Autista.

Entre essas práticas, estão o Ensino em Ambiente Natural (EAN) e o Ensino Naturalístico ou, como também é conhecido, ABA Naturalista. O EAN é um modelo que prioriza intervenções pouco invasivas e que partem sempre do interesse do estudante e de suas interações naturais com as pessoas de seu cotidiano.

De acordo com Rogers e Dawson (2010), o EAN se trata de uma abordagem de ensino que tem como destaque a iniciativa e a espontaneidade da criança, além disso é uma abordagem que pode ser integrada em contextos naturais.

Diferente das intervenções estruturadas, que geralmente ocorrem em ambiente terapêutico e controlado, essa intervenção pode ocorrer em qualquer ambiente já conhecido pelo estudante, como sua própria casa, a escola e demais lugares que frequenta.

O controle sobre o ambiente é do estudante e as interações rotineiras são utilizadas pelo profissional para promover o aprendizado.

Possibilidades e desafios do Ensino em Ambiente Natural Uma das características do TEA é a super seletividade, que pode ser alimentar, por objetos específicos ou lugares. Segundo Nunes (2003), essa característica implica em déficits na generalização e na dificuldade de ampliar o aprendizado para situações semelhantes.

É necessário que as intervenções educacionais sejam desenvolvidas nos vários ambientes frequentados pelo estudante autista. Justamente por não haver um controle rígido sobre o ambiente e as interações no EAN, alguns elementos podem se tornar desafios para o processo:

Baixo controle de estímulos: o barulho dos carros passando na rua, o volume da televisão e outras pessoas que estejam no ambiente.

Todos esses estímulos podem influenciar no processo de intervenção. Ambientes minimamente manipulados: pessoas com TEA podem apresentar hipersensibilidade a mudanças, mesmo que sejam pequenas.

É essencial que o ambiente seja minimamente manipulado, mesmo que haja intenção educativa na mudança de elementos do ambiente. Baixa taxa de resposta: o processo de intervenção em ambiente natural sempre deve partir do interesse do estudante.

As respostas emitidas a cada estímulo podem ocorrer de forma menos evidente em comparação aos métodos estruturados.

No entanto, a possibilidade de generalização é aumentada. Tempo de observação e intervenção pode ser maior: o profissional deve ter disponibilidade para acompanhar o estudante em sua rotina diária, e isso demanda maior tempo de observação e intervenção.

Alguns programas indicam cerca de 25 a 40 horas semanais para o Ensino em Ambiente Natural.  Apesar dos itens acima poderem representar desafios para o trabalho do profissional ABA, o EAN mostra evidências favoráveis e significativas para o desenvolvimento de habilidades e comportamentos em estudantes com TEA.

Modelos de intervenção: currículo e programas O EAN possui vários modelos de intervenção, baseados em currículos e programas estruturados. A maioria dos programas está em língua inglesa, mas o profissional poderá elaborar seu próprio programa conforme as necessidades e possibilidades do estudante e sua família.

Dentre os mais conhecidos estão: Modelo Denver: Já traduzido para o português europeu, esse modelo propõe intervenção comportamental precoce para crianças com TEA de 12 meses até 5 anos de idade, com objetivo de promover a linguagem, a aprendizagem e a socialização.

Modelo Jasper: Disponível apenas em língua inglesa, é uma proposta de intervenção baseada em jogos e brincadeiras lúdicas para ensinar habilidades de comunicação social a crianças pequenas com autismo. É um modelo desenvolvido pela Dra. Connie Kasari na Universidade da Califórnia.

O modelo propõe ajudar crianças verbais e minimamente verbais a aprenderem habilidades básicas de comunicação social e a se envolverem no conjunto familiar e profissional. Pivotal Response Treatments: Conhecido como PRT é um programa de tratamento comportamental que usa brincadeiras e atividades lúdicas para ensinar e reforçar novos comportamentos de socialização.

Disponível apenas em língua inglesa, o modelo propõe que as áreas essenciais do desenvolvimento são elementos-chave para desenvolver competências sociais para uma comunicação bem-sucedida.

SCERTS: Modelo disponível apenas na língua inglesa, The SCERTS Model é uma abordagem educacional de estrutura multidisciplinar que aborda os principais desafios enfrentados por crianças e pessoas com TEA e deficiências relacionadas, e suas famílias. Ele foca na construção de competências em comunicação social, regulação emocional e apoio transacional.

É aplicável a pessoas de qualquer idade em ambientes domésticos, escolares e comunitários. Etapas de construção do planejamento de intervenção em ambiente natural É comum pensarmos que intervenções em ambientes não controlados requerem atividades improvisadas.

No entanto, o EAN não é a base de improviso e demanda uma série de passos ou etapas para a sua plena eficácia. Esse modelo de ensino possui um conjunto de práticas que incluem arranjos ambientais, técnicas de interação e estratégias baseadas nos princípios da ABA.

A seguir, apresentaremos os passos ou etapas para implementação:

1ª Etapa: Avaliação e coleta de dados

O primeiro passo para implementação de um programa de intervenção em ambiente natural é a avaliação, que se inicia com a observação do estudante em suas atividades rotineiras. Durante a avaliação, é importante que o profissional registre quais habilidades e comportamentos o estudante possui dificuldades e aquelas que já domina. A coleta de dados é um registro de frequência do comportamento ou habilidade antes de iniciar o processo de intervenção.

Com base nos dados coletados, o profissional poderá identificar a relevância do aprendizado do comportamento-alvo. É importante que os dados sejam coletados em horários e lugares diferentes.

O registro dos dados pode ser realizado por meio de tabelas, contendo os seguintes dados: data, local de ocorrência, quantas vezes o comportamento foi observado e anotações. Veja um exemplo de tabela:

 

Comportamento-alvo: pedir água Figura 1:

DATA

LOCAL

QUANTIDADE

OBSERVAÇÕES

03/06

SALA DE ESTAR

1

DISSE “ÁGIA” QUANDO MÃE SE APROXIMOU

04/06

COZINHA

1

APONTOU PARA A TORNEIRA, NÃO VERBALIZOU

05/06

QUARTO

2

DISSE “ÁGUA” NA PRESENA DA PROFISSIONAL

 

2ª Etapa: Definição de objetivos com os dados coletados na avaliação, o profissional, de preferência em conjunto com a família, definirá os objetivos das intervenções e quais habilidades ou comportamento salvo devem ser ensinados. Esse conteúdo deverá ser elaborado em um Plano de Desenvolvimento Individual ou Programa Educacional Individualizado. Os objetivos são mais amplos, enquanto os comportamentos-alvo são mais restritos e específicos, como por exemplo: Objetivo: aumentar o uso da linguagem durante as brincadeiras.

Comportamento-alvo: uso dos pronomes (ele/ela) de forma correta.

3ª Etapa: Elaboração do Programa e identificação dos contextos de intervenção as intervenções devem ocorrer ao longo do dia no contexto das rotinas/programações diárias. O profissional deve estar amparado por amplos conhecimentos para incorporar a intervenção nas rotinas regulares do aluno. Essa capacidade é fundamental para implementar o programa com sucesso.

O programa deve conter: 6 Todas as habilidades e comportamentos-alvo propostas para ensino. Locais de intervenção. Quantidade de horas de intervenção. Participação de membros da família ou de outras pessoas no processo.

Definição das atividades – Atividades Dirigidas, Atividades de Rotina e/ou Atividades Planejadas. Os contextos de intervenção podem ser a casa do estudante, a escola, o parque ou qualquer outro ambiente.

Uma característica fundamental do EAN é a utilização de materiais e brinquedos que motivem o aluno a se envolverem no comportamento-alvo e que promovam a generalização de competências. Algumas sugestões de brinquedos e objetos que podem ser úteis: Brinquedos de empilhar e montar com várias peças.

Brinquedos que complementem outra atividade, por exemplo: fantoches durante a leitura de livros. Objetos que exigem assistência do profissional, como garrafas com tampas apertadas ou peças de quebra-cabeça que são seguradas pelo profissional e fornecidas quando solicitadas. Brincadeiras de troca de turnos, como bolas e carrinhos lançados de um lado para o outro.

4ª Etapa: Registro O acompanhamento por meio de registros é fundamental para certificar o processo de aprendizagem e pode ser feito por meio de tabelas e gráficos. Os registros devem conter algumas informações essenciais: Nome da criança. Data que os dados do registro foram coletados. Habilidades e comportamentos ensinados. Progresso da criança no aprendizado do comportamento.

Outras informações podem fazer parte do registro, a depender dos modelos adotados. Práticas e estratégias do EAN Durante as intervenções, algumas estratégias são interessantes para motivar o estudante a responder aos estímulos com o comportamento-alvo definido.

 Os reforços devem estar incluídos nas atividades e são resultados naturais da resposta do estudante, por exemplo: se um comportamento-alvo foi definido como ensinar o estudante a pedir um brinquedo usando duas palavras, o reforço será o próprio brinquedo fornecido pelo profissional. O EAN não requer uso de materiais específicos, e pode contar com os objetos que o próprio ambiente apresenta. É claro que, quanto mais ricos e variados forem os objetos e brinquedos, mais consistente será o processo de intervenção.

 A participação da família é fundamental, não só durante o processo de intervenção, mas para garantir a continuidade do trabalho do profissional.

Por isso os objetivos, habilidades e comportamentos definidos devem ser discutidos e alinhados entre todos os indivíduos que participam da vida do estudante. O ensino em ambiente natural na Análise de Comportamento Aplicada (ABA) oferece uma abordagem altamente eficaz para promover a aprendizagem significativa em indivíduos com TEA.

O EAN tem como premissa o interesse do próprio estudante nas atividades, isso favorece o protagonismo e a autonomia e a possibilidade de generalização daquilo que foi aprendido para outros contextos. Através do compromisso com essa abordagem centrada no aluno e na aplicação prática dos princípios da ABA, podemos maximizar o potencial de aprendizagem e promover uma maior inclusão e participação na sociedade.

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Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!
Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.Amigo é a base quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!
Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

Oração do Professor


"Obrigado, Senhor, por atribuir-me a missão de ensinar e por fazer de mim uma professora no mundo da educação.

Eu te agradeço pelo compromisso de formar tantas pessoas e te ofereço todos os meus dons.

São grandes os desafios de cada dia, mas é gratificante ver os objetivos alcançados, na raça de servir, colaborar e ampliar os horizontes do conhecimento.

Quero celebrar as minhas conquistas exaltando também o sofrimento que me fez crescer e evoluir.

Quero renovar cada dia a coragem de sempre recomeçar.

Senhor!

Inspira-me na minha vocação de mestre e comunicador para melhor poder servir.

Abençoa todos os que se empenham neste trabalho iluminando-lhes o caminho.

Obrigado, meu Deus, pelo dom da vida e por fazer de mim uma educadora consciente, comprometida hoje e sempre. Amém!"