Generalização de estímulos
Generalização
A
Generalização é uma das sete dimensões da Análise do Comportamento Aplicada
(ABA) publicadas por Baer et al. (1968, p. 96), que descrevem este processo
como sendo uma característica da mudança de comportamento, que deve ser
“durável ao longo do tempo […] aparecer numa ampla variedade de ambientes
possíveis, ou espalhar-se por uma ampla variedade de comportamentos
relacionados”.
A
manutenção de uma resposta previamente treinada com técnicas da ABA que se
ampliam para outros materiais, lugares, pessoas e contextos não treinados
também fazem parte do método de generalização. O processo de emitir uma mesma
resposta a estímulos diferentes é chamado de Generalização de Estímulos.
Generalização
de Estímulos
Generalização
de estímulos é o termo que descreve a resposta a estímulos não treinados, que
compartilham características semelhantes (materiais, lugares, pessoas,
contextos) com o estímulo inicial ou o estímulo discriminativo (SD).
Exemplo: se um
estudante é ensinado a pedir água em sua casa e ele emite o mesmo pedido na
escola, tal situação pode ser considerada generalização de estímulo. A resposta
previamente ensinada foi emitida de uma forma nova e não treinada, em um
contexto diferente e com outras pessoas.
A
generalização de estímulos poderia acontecer da mesma forma com outras pessoas
ou outros lugares. O SD (a sede), foi generalizado ao ponto de o estudante ser
capaz de emitir uma resposta (o pedido de água), mesmo que essas novas
situações não tivessem sido treinadas, por isso, o processo de generalização é
relevante por vários motivos.
Não
seria possível ensinar diretamente um estudante a responder ao estímulo em
todas as ocasiões que ocorresse. Se não houvesse a generalização do estímulo,
seria necessário ensinar a pedir água na sua casa, na escola, na rua, no
parque, no shopping e qualquer outro lugar, a cada vez que o indivíduo sentir
sede.
Quanto
mais semelhantes forem os estímulos, maior a probabilidade do indivíduo
responder de modo operante, ou seja, se usou de reforçadores, do mesmo modo que
respondeu anteriormente em que o reforço foi utilizado. Os estímulos são
divididos em classes, segundo sua semelhança ou relações com as respostas.
Classes
de Estímulos
Uma
classe é um grupo de estímulos que compartilham características físicas,
locais, temporais ou funcionais e são divididas por similaridade, por
equivalência ou por relações por uma resposta comum.
Similaridade
Um
estímulo é considerado similar ao SD quando possui características físicas
semelhantes a ele. Essa semelhança pode ser pela cor, pela forma, o cheiro, som
e outras diversas características.
Exemplo: o
profissional está ensinando a cor vermelha. Ele apresenta um brinquedo na cor
escolhida (SD) e pede ao estudante que pegue o objeto dizendo “pegue o
brinquedo vermelho”. O estudante então pega o brinquedo (Resposta). Em outro
momento, num contexto diferente, a mãe do estudante pede que ele pegue um copo
vermelho no balcão. Se o estudante pega corretamente, considera-se que ele
generalizou o estímulo (a cor vermelha) para objetos com essa característica.
Equivalência
Os
estímulos podem ser equivalentes pela simetria, pela transitividade ou pela
reflexividade. Esses termos foram emprestados da linguagem matemática, por isso
é muito comum encontrar fórmulas com variáveis nos materiais que se referem às
classes de estímulos por equivalência.
Para a
simetria (S):
S: A r
B = B r A – se o elemento A tem relação com o elemento B, então o
elemento B tem relação com o elemento A.
Para a
Transitividade (T):
T: A r
B e B r C, então A r C – se o elemento A tem relação com o
elemento B, e o elemento B tem relação com o elemento C, então o elemento A tem
relação com o elemento C.
Para a
Reflexividade (R):
R: A r
A
– o elemento A tem relação com ele mesmo.
Transpondo
para um exemplo, imagine que o profissional está ensinando o estudante a falar
"gato". Em um primeiro momento, ele apresenta um cartão com o desenho
de um gato e diz “gato”, pedindo que o estudante repita. Nesse caso, os
estímulos “desenho de gato” e o som da palavra “gato” são simétricos. Eles não
possuem nenhuma similaridade, porém fazem parte de uma mesma classe de
estímulos.
Imagine
que ao invés de mostrar um cartão com uma imagem, o profissional exibe um
cartão com a palavra "gato" e emite novamente o som da palavra
“gato”. O estudante então pega o cartão com a imagem do animal e repete “gato”.
É
possível perceber que o estudante generalizou os estímulos por transitividade,
visto que o estudante identificou que a escrito “gato” tem relação com o som da
palavra falada, da mesma forma que o cartão com a imagem de um gato, pois são
estímulos equivalentes por transitividade.
Por
fim, se esse estudante se deparar com um gato em outro momento e for capaz de
dizer “gato”, considera-se que ele generalizou o estímulo equivalente pela
simetria que a imagem do gato possui com o próprio animal.
Relações
arbitrárias mediadas por resposta comum
Nesse
caso, a função do estímulo é a mesma do SD, embora não compartilhem
similaridades físicas e nem sejam equivalentes.
Exemplo: os
instrumentos musicais são estímulos arbitrários, cada um possui uma aparência
física e emitem um som diferente, porém a resposta emitida frente a esses
estímulos é a mesma, fazer música (ou emitir um som), por isso, eles
correspondem a uma mesma classe de estímulos.
Classes
funcionais
Nas
classes funcionais, os estímulos podem não partilharem similaridades formais,
mas diante de um contexto de aprendizagem, podem ser incluídos em uma mesma
classe para desencadear a mesma resposta.
Exemplo: os
lobos não fazem parte da mesma classe dos cachorros, embora sejam
biologicamente da mesma família. No entanto, se o estudante está aprendendo a
dizer “cachorro”, e emite essa resposta quando se depara com a imagem de um
lobo, pode-se dizer que ambos estímulos estão em uma classe funcional, mesmo
que não estejam na mesma classe do ponto de vista formal.
Testes
de Generalização
Durante
o processo de intervenção, podem ser necessários a realização de testes para
medir a probabilidade de uma resposta ser emitida diante de estímulos
diferentes.
Os
testes representam a capacidade de generalização do aluno diante da variação do
SD, e a frequência de respostas deve se manter, quanto mais similares forem os
estímulos, assim como diminuem quanto menos parecidos. Para esses testes, podem
ser utilizados gradientes de estímulos.
Gradiente
de Estímulos são as mudanças que ocorrem a partir do SD (estímulo treinado). A
partir desse exemplo é possível medir a capacidade de generalização de um
estímulo, visto que conforme mudam as características, a probabilidade de dizer
“bola” diminui.
Conclusão
Pessoas
com Transtorno do Espectro do Autismo podem apresentar dificuldades de
responder um comportamento já aprendido quando está em um contexto diferente
daquele em que o comportamento foi ensinado. Dessa forma, é necessário que a
Generalização seja ensinada desde o início do atendimento.
A
Generalização ajuda a garantir que o estudante esteja preparado para responder
corretamente em situações que exigem sua autonomia, em que o estímulo de mando
não seja necessário ou desejável, permitindo flexibilidade comportamental,
eficiência na aprendizagem, uma maior compreensão do mundo e qualidade de vida
ao estudante com TEA.

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