Educar Senpre - LINKE ME

SEGUIDORES

25 de nov. de 2022

 

O comportamento e suas funções:

O que é comportamento indesejado?

Na Análise de Comportamento Aplicada (ABA), as intervenções devem ser guiadas para o ensino de comportamentos apropriados para uma vida autônoma e para a modificação de comportamentos inadequados. Segundo Skinner (1953), todos os comportamentos possuem uma função e são emitidos pelas suas consequências. É pela busca da satisfação de desejos e necessidades que um indivíduo age e se comporta na sociedade, dessa forma, para iniciar uma intervenção baseada em ABA, não basta apenas analisar a topografia de um comportamento (a forma como ele se apresenta e pode ser descrito), é essencial identificar sua função, ou seja, identificar a qual desejo ou necessidade aquele comportamento é relacionado. As quatro principais funções do comportamento são: fuga ou esquiva, acesso à atenção, acesso a tangíveis e estimulação sensorial.

Função de Fuga ou esquiva

A função de fuga ou esquiva está relacionada a comportamentos indesejados cuja topografia se apresenta na forma de evitar situações, objetos ou tarefas incômodas ou que trazem consequências aversivas. Estudantes autistas podem apresentar comportamentos com função de fuga quando têm dificuldades em recusar atividades indesejadas de forma socialmente adequada, e com isso se engajam em comportamentos indesejados ou comportamentos-problema para escapar de tarefas não preferidas (Sella; Ribeiro, 2018).

Esse comportamento pode se apresentar de várias formas: correr, se esconder, cobrir o rosto com as mãos, ignorar a tarefa, ignorar instruções ou comandos, virar a cabeça etc. Por exemplo, uma criança autista não gosta de atividades em grupo na escola, e todas as vezes que a professora propõe esse tipo de atividade, a criança tenta correr para fora da sala. 4 Como consequência desse comportamento, a professora permite que a criança brinque sozinha no canto da sala enquanto os outros colegas fazem a atividade. As intervenções comportamentais devem criar estratégias para criar um ambiente que promova o bem estar da estudante em atividades em grupo ao mesmo tempo em que diminua a relação entre o comportamento e a consequência.

Função de Acesso à atenção

Um comportamento indesejado com função de acesso à atenção pode se apresentar em forma de choro, gritos, agressões físicas ou verbais e ocorre quando o estudante autista busca a atenção dos colegas, pais, cuidadores, terapeuta, professores ou qualquer outra pessoa que poderá fornecer a consequência de atenção. Esse tipo de comportamento pode representar dificuldades especialmente quando emitido por autistas não verbais, que apresentam déficit na comunicação ou não conseguem exprimir suas necessidades e desejos de forma inteligível.

Esse comportamento pode ser exemplificado quando uma criança deseja a atenção da mãe, ao mesmo tempo que a cuidadora está engajada em outros afazeres, e para isso se joga no chão, se debate e grita. Como consequência, a mãe interrompe seus afazeres e atende à demanda da criança, reforçando seu comportamento.

Nesse caso, as intervenções devem considerar o ensino de formas adequadas de obter a atenção, dizendo por exemplo “pode brincar comigo, por favor?” ou ensinar a criança a compreender formas negativas da consequência, como “podemos esperar até eu finalizar essa tarefa?” ou “neste momento não posso brincar com você”.

Função de Acesso a tangíveis

Os tangíveis correspondem a qualquer item material que atende ao interesse do estudante. Pode ser um alimento, uma bebida, um brinquedo ou um objeto preferido. Similar aos comportamentos de acesso à atenção, os comportamentos indesejados  relacionados aos tangíveis também podem se apresentar em forma de choro, gritos ou agressões e podem aparecer quando o tangível é retirado ou negado ao estudante, ou quando o estudante não possui repertório comunicacional para solicitar de forma adequada. Segundo Matson (2023), alguns comportamentos podem ter múltiplas funções e, frequentemente, uma das variáveis do comportamento pode ser a de acesso a tangíveis.

Por exemplo, em um comportamento de fuga, normalmente o estudante foge para uma atividade ou objeto preferido. As intervenções baseadas na função de acesso a tangíveis podem incluir formas de comunicação alternativa, ensinar a realizar pedidos de forma apropriada, ensinar a aceitar “não” como resposta a um pedido, entre outras estratégias.

Função de Estimulação Sensorial

Comportamentos indesejados com essa função são geralmente chamados de estereotipias ou stimming, e se apresentam na forma de vocalizações ou movimentos repetitivos que não apresentam objetivos claros e ocorrem da mesma forma durante um período. Um exemplo desse comportamento pode ser mordidas auto infligidas nas mãos ou outra parte de corpo, entre outras formas de autoagressão. De acordo com Matson (2023), por serem comportamentos com um reforço intrínseco, existe uma probabilidade maior de as intervenções encontrarem resistência para diminuir ou extinguir comportamentos de estimulação sensorial. Porém, se a fonte da estimulação for identificada e isolada, algumas estratégias baseadas na função podem obter sucesso, como uso de equipamentos de proteção por exemplo.

Comportamentos sexuais individuais também devem ser analisados a partir de sua função de estimulação sensorial. De acordo com Jung, Lunardi e Silva (2023), a sexualidade faz parte da vida de todas as pessoas e é inerente a todo ser humano, portanto, é necessário discutir formas de manejo dos comportamentos sexuais com função de estimulação sensorial, principalmente por significarem potencial de exposição de pessoas autistas à vulnerabilidade. Esse assunto é delicado, e muitas vezes representa um tabu quando 6 relacionado à pessoas com transtornos do desenvolvimento, porém deve ser conduzido de forma profissional e consciente, por se tratar de um tema que faz parte da vida humana e principalmente para garantir orientação clara e proteção às crianças, adolescentes e adultos no espectro autista.

Mas afinal, o que é comportamento indesejado?

Catania (1999) define comportamento como uma relação complexa entre o ambiente, um organismo e uma consequência da interação desse organismo com o ambiente. Essa relação é comumente chamada de contingência de três termos: antecedente – resposta – consequência, ou seja, o comportamento não é um ato isolado de um contexto e não pode ser analisado com base apenas em sua aparência.

É necessário observar as variáveis que “estão fora do organismo, em seu ambiente imediato e em sua história ambiental” (Skinner, 2003, p. 33). Dessa forma, comportamento indesejado ou comportamento-problema é todo comportamento que coloca o estudante e as pessoas de seu convívio em risco, que interferem do repertório de comportamentos adequados e que prejudicam de alguma forma o aprendizado da pessoa com TEA.

Comportamentos indesejados, conforme explicam Menezes e Santos (2021), podem ser práticas de autolesão, comportamentos agressivos com potencial para gerar ferimentos ou danos, ingestão de objetos ou substâncias não comestíveis e comportamentos incompatíveis com o convívio social e com a noção contextual de autocuidado, como correr em direção a uma rua movimentada, por exemplo.  

Embora a presença de comportamentos indesejados no repertório não seja parte dos critérios definidos para o diagnóstico de TEA, a literatura aponta que pessoas no espectro apresentam maior probabilidade de comportamentos inadequados que podem afetar sua qualidade de vida. Portanto, as intervenções baseadas em análise do comportamento para manejo de comportamentos indesejados devem sempre preceder de uma avaliação.

Avaliação Funcional: o que é e como fazer

Análise Funcional é um procedimento utilizado para identificar as condições que mantém a ocorrência de comportamentos indesejados. Na avaliação, as variáveis do comportamento são analisadas em diferentes situações e a partir do olhar dos diferentes indivíduos com quem o estudante autista convive, incluindo o do próprio estudante. Uma Análise Funcional pode utilizar diferentes métodos e escalas para identificar comportamentos indesejados.

“Uma vez que encontremos os determinantes do comportamento, podemos predizê-lo (prever a sua ocorrência) e controlá-lo (aumentar ou diminuir deliberadamente a sua probabilidade de ocorrência)” (Moreira; Medeiros, 2019, p. 149), ou seja, a análise funcional ajuda o profissional a intervir de maneira assertiva.

As avaliações de uma Análise Funcional podem ser diretas, a partir da observação em ambientes naturais, como a casa e a escola, para determinar as funções do comportamento indesejado, e a manipulação direta de variáveis antecedentes e as consequências desse comportamento, e indiretas, por meio de questionários e entrevistas com a família, cuidadores, professores e com o próprio estudante, quando possível. Essas avaliações serão a base para a coleta de dados. Após a coleta de dados, o profissional deve:

ü  identificar os comportamentos indesejados no repertório, que devem ter sua frequência diminuída ou extinguida;

ü  identificar comportamentos adequados no repertório, a serem reforçados para aumentar a frequência;

ü  identificar comportamentos ausentes no repertório que devem ser ensinados e reforçados;

ü  elaborar hipóteses de análise funcional, procurando responder quais são as funções dos comportamentos indesejados;

ü  validar as hipóteses a partir da modificação das variáveis antecedentes e as consequências identificadas e seu reflexo na modificação dos comportamentos indesejados;

ü  identificar comportamentos com múltiplas funções.

Por fim, com base na análise funcional, o profissional terá elementos para promover intervenções que tenham como objetivo melhorar a qualidade de vida do estudante ajudando-o a diminuir comportamentos indesejados.

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!
Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.Amigo é a base quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!
Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

Oração do Professor


"Obrigado, Senhor, por atribuir-me a missão de ensinar e por fazer de mim uma professora no mundo da educação.

Eu te agradeço pelo compromisso de formar tantas pessoas e te ofereço todos os meus dons.

São grandes os desafios de cada dia, mas é gratificante ver os objetivos alcançados, na raça de servir, colaborar e ampliar os horizontes do conhecimento.

Quero celebrar as minhas conquistas exaltando também o sofrimento que me fez crescer e evoluir.

Quero renovar cada dia a coragem de sempre recomeçar.

Senhor!

Inspira-me na minha vocação de mestre e comunicador para melhor poder servir.

Abençoa todos os que se empenham neste trabalho iluminando-lhes o caminho.

Obrigado, meu Deus, pelo dom da vida e por fazer de mim uma educadora consciente, comprometida hoje e sempre. Amém!"