Critérios
diagnósticos do TEA
O
processo de diagnóstico traz consigo questões culturais que nos fazem muitas
vezes questionar se de fato o laudo é importante. Dentre vários aspectos que
tornam de extrema relevância o fechamento de um diagnóstico fidedigno,
ressaltamos que por meio dele o indivíduo desenvolve o autoconhecimento,
compreende qual o tratamento mais adequado a ser realizado, tem acesso e
direito à terapias e inúmeros outros benefícios expressos na LBI (Lei
Brasileira de Inclusão) e quando consideramos crianças e adolescentes, pensamos
também no direito à um acompanhante terapêutico especialização na escola, assim
como a adaptação e adequação dos objetivos previstos no currículo acadêmico.
Uma
pesquisa realizada pelo Centro de Controle de Doenças e Prevenção (CDC), nos
Estados Unidos, apresentou que 1 a cada 44 pessoas possuem o Transtorno do
Espectro Autista, o que deu margem à falsas afirmações sobre o aumento do
nascimento de pessoas com TEA.
O
que ocorre é que atualmente houve um avanço de extrema relevância em pesquisas
que auxiliaram na compreensão, identificação e no tratamento de pessoas dentro
do Espectro. É importante compreender, entretanto, que atualmente não possuímos
na ciência, exames que identifiquem o Autismo com fácil acesso, apesar de
haverem protocolos a serem seguidos pelos médicos para identificar comorbidades
e/ou justificar sintomas com outros diagnósticos que não o TEA, tais como o
Potencial evocado auditivo (BERA) ou Audiometria condicionada,
Eletroencefalograma e a Ressonância Magnética.
Então
como é realizado o diagnóstico atualmente no Brasil? Por meio dos critérios
previstos no DSM-V até que o CID-11 esteja efetivamente validado no Brasil.
O
DSM-V oferece uma padronização para que os diagnósticos não ocorram por meio de
opiniões pessoais, porém, é necessário que os profissionais especializados
envolvidos neste processo, apliquem protocolos validados para analisar a
presença dos sintomas por meio de observações clínicas, tomando como parâmetro
os marcos do desenvolvimento.
Atualmente, são indicados para avaliar e
desenvolver os sintomas do TEA, profissionais das áreas de Psicologia
especializada em ABA, Psicopedagogia especializada em ABA e Transtornos do
Neurodesenvolvimento, Fonoaudiologia Especializada em ABA, Apraxia de Fala e
Comunicação Aumentativa e Alternativa e Terapeutas Ocupacionais especializados
em Integração Sensorial de Ayres.
A
avaliação de investigação e fechamento de diagnóstico do TEA atualmente envolve
entrevista com os responsáveis para investigação do histórico de
desenvolvimento desde a gestação, visto que já se compreende a influência
destes no desenvolvimento neurológico e aplicação de Protocolos que investiguem
os sintomas previstos no DSM, como habilidades sociais e de comunicação, além
de comportamentos restritos e estereotipados.
Dentre os Protocolos atuais, destacamos
aqueles baseados na Análise do Comportamento Aplicada, que não são restritos
apenas para Psicólogos: Vbmapp, Ablls-R, Inventário Portage, Q-10 entre outros.
Além
disto, é importante que os profissionais realizem também avaliação do
paciente/aluno no ambiente escolar e em outros ambientes frequentados por ele
(mercado, shopping, lojas, entre outros) para avaliar habilidades sociais.
Após a equipe concluir o prognóstico, o médico
fecha o diagnóstico. É fundamental compreender que objetivo das terapias não é
buscar a “cura” para o TEA, visto que isto não existe, pois não se trata de uma
doença e sim uma condição neurológica, mas melhorar a qualidade de vida dos
pacientes e famílias. ,
Além
das terapias, é comum o uso de medicações, mas ressaltamos que atualmente não
há intervenção medicamentosa para TEA no Brasil, apenas para comorbidades.
