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2 de nov. de 2022

 

Ensino por tentativas discretas

 

Ensino por Tentativas Discretas (DTT), cuja sigla remete ao inglês Discrete Trial Teaching, é um método de estudo estruturado, sistemático, planejado e controlado que envolve o ensino de habilidades e comportamentos de forma fragmentada, por meio de repetições e estímulos, seguidos de reforçamentos.

Ele foi sistematizado pelo pesquisador, professor e psicólogo Ole Ivar Lovaas, ao publicar um estudo pioneiro com evidências consistentes de modificação de comportamentos de crianças autistas. Recentemente, o trabalho A Work in Progress: Behavior Management Strategies and a Curriculum for Intensive Behavioral Treatment of Autism (1999), dos autores Ron Leaf e John MacEachin, se tornou um dos trabalhos mais completos e importantes sobre a aplicação do Ensino por Tentativas Discretas, com inúmeras habilidades e exemplos de aplicação.

A palavra Discreta é derivada da linguagem matemática e significa que cada tentativa possui início e fim bem definidos. O uso dos estímulos e das respostas são cuidadosamente planejados e implementados e as recompensas são aplicadas para reforçar uma resposta desejada.

 

Etapas do Ensino por Tentativas Discretas

A aplicação do Ensino por Tentativas Discretas possui algumas etapas essenciais que correspondem ao processo de ensino. Cada sessão de aplicação envolve a repetição das tentativas e cada parte de uma habilidade deve ser dominada antes de avançar para a próxima.

Pré-treino ou pré-teste: corresponde ao planejamento e elaboração de um plano de estudos individual das habilidades e comportamentos, sendo que essa estapa se inicia com a observação e discussão sobre quais habilidades deverão ser ensinadas, podendo ser a fragmentação das habilidades em pequenos passos e sequenciação lógica das tentativas. Além disso, há a seleção da ferramenta de controle e registro, que pode ser feita com planilhas e quadros, a definição do local de aplicação, geralmente em ambiente terapêutico controlado e a seleção dos materiais a serem utilizados.

Inicialmente, as sessões devem ser realizadas individualmente, porém, poderão ocorrer de forma coletiva à medida que o estudante participa e desenvolve habilidades de escuta e espera.

Antecedente (SD): também chamado de estímulo discriminativo, é a instrução, comando ou estímulo fornecido pelo profissional indicando ao estudante o comportamento desejado. O SD deve ser claro e sucinto, contendo apenas um comando ou instrução.

Resposta (R): é o comportamento emitido pelo estudante logo após a apresentação do SD. A resposta poderá ser verbal, motora ou comportamental, a depender de qual habilidade está sendo ensinada.

Consequência (SR): ou Estímulo Reforçador, é a recompensa oferecida ao estudante logo após a sua resposta. O SR pode ser tangível, como uma guloseima ou tempo com um brinquedo, ou pode ser em forma de palavras de incentivo e elogios, como “isso mesmo!” ou “muito bem”. O SR deve ser empregado imediatamente após a resposta e pode ser positivo ou negativo. No caso de SR negativo, o profissional pode simplesmente dizer a palavra “não”.

Intervalo Entre Tentativas (ITI): o ITI é o tempo que o profissional deve esperar entre o fim de uma tentativa e o início de outra. O nível de complexidade da habilidade que está sendo ensinada, deverá ser considerado, além da idade do estudante e as habilidades que ele já domina. Este processo tem a função de permitir que o aluno compreenda as informações da tentativa anterior e a passagem de um ciclo SD-R-SR para outro, sem que o aprendizado se torne desorganizado.

Prompt: ou dica, é qualquer informação, instrução ou ajuda que o profissional fornece ao estudante para que ele emita uma R de forma correta. Ele deve ser utilizado apenas quando necessário, e deve ser gradualmente retirado até que o estudante emita uma R correta de forma autônoma. Cada tipo de habilidade ensinada pode exigir um tipo de prompt, que pode ser verbal, visual, físico ou gestual.

 

Critérios de aprendizagem

O domínio da habilidade ocorre quando o estudante é capaz de emitir uma resposta correta de forma consistente. De acordo com Leaf e MacEachin (1999), cerca de 80 a 90% dos estudantes aprendem uma habilidade em dois ou três dias. É importante ressaltar que os critérios para determinar se uma habilidade é dominada são arbitrários e dependem de fatores individuais de cada estudante.

Tempo de intervenção

O período das sessões vai depender de uma série de fatores como a atenção do estudante, as necessidades de reforçamento e da complexidade das habilidades ensinadas. Uma sessão de Ensino por Tentativas Discretas deve ter no mínimo 50 minutos e ser ampliada conforme a necessidade e as possibilidades. De acordo com Leaf e MacEachin (1999), o tempo ideal para uma sessão, é de 2 a 3 horas por dia, sendo que durante as intervenções, além do ITI, é necessário fornecer uma pequena pausa nas atividades para manter a motivação e a atenção do estudante. Essas pausas devem ser proporcionais ao tempo de um ciclo completo de SD-R-SR.

Exemplo: para cada três rápidas tentativas, pode haver um intervalo de 30 a 60 segundos. Para uma tentativa mais longa, com cerca de 3 minutos, o ideal é uma pausa de 90 segundos. Para tentativas mais longas, usar a proporção de 50% do tempo para uma pausa.

ESTIMULO DISCRIMINATIVO (SD)

RESPOSTA (R)

CONSEQUENCIA (SR)

“BATA PALMAS”

ESTUDANTE PRESTA ATENÇAO E BATE PALMA

“MUITO BEM”

“PULE”

ESTUDANTE PRESTA ATENÇÃO E PULA

“PARABÉNS”

“BATA PALMAS”

ESTUDANTE ESTÁ DISTRAÍDO, MAS BATE PALMAS

“BOM”

“PULE”

ESTUDANTE PRESTA ATENÇÃO, MAS BATE PALMAS

“NÃO”

“PULE”

ESTUDANTE PRESTA ATENÇÃO, MAS NÃO RESPONDE

“NÃO HÁ REFORÇO”

“PULE”

ESTUDANTE ESTÁ DISTRAIDO E NÃO RESPONDE

“VOCÊ NÃO ESTÁ OLHANDO”

“PULE”

ESTUDANTE PRESTA ATENÇÃO E PULA

“ISSO MESMO, VOCÊ CONSEGUIU”

 

 

Manutenção e Generalização

Assim que o aluno consegue executar uma tarefa completa de forma independente, é necessário que ela seja repetida em diferentes ocasiões, em lugares diferentes e ao comando de diferentes pessoas, para que o profissional se certifique que ela se mantém. As tentativas de manutenção são direcionadas para a generalização.

 A generalização é a capacidade de o aluno responder ao mesmo estímulo, sem que seja necessário o reforçamento, que é importante para o desenvolvimento autônomo do estudante. Para favorecer a generalização, a mesma tentativa deve ser praticada em outros ambientes, com diferentes adultos, usando diferentes reforçadores e com diferentes estímulos ou instruções.

Considerações éticas do Ensino por Tentativas Discretas

 As origens das intervenções direcionadas a pessoas com Transtorno do Espectro Autista são controversas. As pesquisas de Ole Ivar Lovaas trouxeram muitas evidências, mas também questionamentos sobre os usos de punições severas, inclusive físicas e de privações, considerados métodos cruéis e degradantes. Atualmente, a Análise de Comportamento Aplicada se opõe ao uso desses métodos, e considera que o respeito pela pessoa humana deve ser o princípio guia de toda e qualquer intervenção baseada nessa ciência.

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Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!
Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.Amigo é a base quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!
Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

Oração do Professor


"Obrigado, Senhor, por atribuir-me a missão de ensinar e por fazer de mim uma professora no mundo da educação.

Eu te agradeço pelo compromisso de formar tantas pessoas e te ofereço todos os meus dons.

São grandes os desafios de cada dia, mas é gratificante ver os objetivos alcançados, na raça de servir, colaborar e ampliar os horizontes do conhecimento.

Quero celebrar as minhas conquistas exaltando também o sofrimento que me fez crescer e evoluir.

Quero renovar cada dia a coragem de sempre recomeçar.

Senhor!

Inspira-me na minha vocação de mestre e comunicador para melhor poder servir.

Abençoa todos os que se empenham neste trabalho iluminando-lhes o caminho.

Obrigado, meu Deus, pelo dom da vida e por fazer de mim uma educadora consciente, comprometida hoje e sempre. Amém!"