O
comportamento verbal
O
imbróglio entre Skinner e Chomsky Em 1957, B. F. Skinner publicou o livro
Verbal Behavior, que em tradução livre significa Comportamento Verbal, que
recebeu inúmeras críticas por ter sido um grande divisor de águas para a
compreensão sobre a comunicação humana como um processo restrito apenas à
vocalização de palavras.
Um
dos estudiosos mais críticos dessa perspectiva foi Noam Chomsky, reconhecido
linguista precursor do Gerativismo, responsável por gerar um
a
influência política considerável capaz de provocar o “adormecimento” do livro
por anos. Bandini e Rose (2010, p. 21-22) destacam que "embora a abordagem
de Chomsky seja linguística, seu impacto na Psicologia Cognitiva foi tanto que
muitos a tomaram como sinal do fim da abordagem behaviorista do comportamento
verbal.
Um
de seus argumentos basilares foi o de que Skinner não conseguiria tratar da
geratividade verbal. Esta seria uma falha irremediável, visto que, para
Chomsky, a própria diferenciação entre os seres humanos e os demais animais ou
máquinas residiria na possibilidade de produção gerativa da linguagem
humana".
Alguns
estudiosos afirmam que as críticas de Chomsky eram, na verdade, opiniões
pessoais sem embasamento científico, o que fez com que o livro de Skinner fosse
novamente ganhando forças, causando grande impacto ao ser adotado como uma
metodologia de Programa de Estudos, visto que apesar de seu vasto conhecimento
acerca do tema, visto a sua formação em Letras e doutorado na área, uma vez
voltado para a Psicologia, não aplicou os estudos de maneira estatística.
Apesar
disto, mediante os dados trazidos por meio da aplicação das ferramentas
expostas em sua extensa e complexa obra, é possível reunir evidências
consideráveis que comprovam a maneira como a comunicação é desenvolvida na
sociedade humana.
O
que é comportamento verbal Segundo Skinner, o Comportamento Verbal se trata de
um comportamento Operante, ou seja, um comportamento aprendido e não algo inato
que não requer interação com o meio para que seja desenvolvido.
Logo,
ele é todo comportamento que envolve a interação de um indivíduo com uma
terceira pessoa, cujo fruto deste processo interativo resulta em um reforço,
algo que motive o indivíduo a se comportar novamente do mesmo modo, ainda que
em outras situações. Skinner (1978, p. 46) explica que "qualquer operante,
verbal ou de outro tipo, adquire força e continua a ser mantido quando as
respostas costumam ser seguidas por um acontecimento chamado “reforço”.o
processo de "condicionamento operante" é mais evidente quando o
comportamento verbal é adquirido inicialmente.
Os
pais constroem um repertório de respostas na criança reforçando muitos casos
particulares de uma resposta". Tomemos como exemplo uma situação onde
alguém diz “Água” e em seguida recebe um copo de água, porém, se um brasileiro
solicita “água” no Japão, provavelmente este comportamento não será
reforçado/motivado, pois não compreenderão do que se trata, ou seja, este não
seria um Comportamento Verbal.
A
grande sacada do autor está em afirmar que esta relação não é restrita apenas a
falar palavras e sons, mas toda e qualquer forma de se fazer compreendido
aprendida de forma cultural, como escrever em um pedaço de papel a palavra
“água” para que busquem-na ou fazer o sinal de “água” em Libras para que tragam
o líquido.
Pensando
nisto, Skinner dividiu tal comportamento em Operantes Verbais, envolvendo:
Ecoico, Ditado, Cópia, Textual, Tato, Mando, Intraverbal e Autoclítico, que
possuem diferentes características na forma de se expressar.
Por
fim, é importante compreender que de acordo com estes estudos, para
considerarmos um indivíduo como "Não Verbal", é necessário que seja
observado a ocorrência de prejuízos que impactam sua funcionalidade tanto na
comunicação como na expressão.
A
distinção destes dois conceitos é determinante para compreender que uma pessoa
pode não conseguir pronunciar “água”, seja por impedimentos físicos,
neurológicos ou de outras origens, mas talvez seja capaz de entregar um copo de
água ao ouvir “água”, demonstrando possuir um bom repertório de ouvinte, ou
seja, de compreensão.
Dito
isto, a Ecolalia (repetições constantes sem intenção de se comunicar) não é
considerada um Operante Verbal, pois apesar de envolver a vocalização de
palavras, o indivíduo não se comporta com a intenção de acessar o item nomeado,
se trata da pronúncia de palavras, frases e sons descontextualizados.
