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2 de nov. de 2022

 

Modelagem e modelação

         A ABA e Práticas Baseadas em Evidências A Análise de Comportamento Aplicada, mais conhecida como ABA (sigla do inglês Applied Behavior Analysis), é uma ciência derivada da abordagem psicológica chamada Análise do Comportamento, que tem como objeto do estudo o comportamento humano e as interações comportamento-ambiente.

O objetivo da ABA, não é somente o estudo do comportamento, mas a aplicação prática da ciência com foco na análise e na modificação comportamental, buscando promover o desenvolvimento e aprendizagem de habilidades socialmente relevantes, reduzir os déficits comportamentais e tem sido aplicada de forma exitosa no tratamento de crianças, adolescentes e adultos com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

As abordagens da ABA passaram por diversas modificações desde os primeiros estudos da área e atualmente são referenciadas 28 práticas.

Essas práticas são baseadas em evidências que se mostraram significativas na intervenção educacional para pessoas com desenvolvimento atípico e dentre elas, estão as chamadas Modelagem e a Modelação. Modelagem e Modelação: definição e diferenças Modelagem e Modelação são duas práticas que frequentemente aparecem juntas no processo de intervenção educacional para pessoas com TEA, no entanto possuem diferenças conceituais e de aplicação.

Modelagem:

Consiste no método de ensino por aproximações sucessivas do comportamento alvo. Modelação: É a técnica de demonstração de um comportamento ou habilidade para aprendizado por observação e imitação. Os dois conceitos foram estudados e estruturados por pesquisadores diferentes. A Modelagem teve origem com os estudos de B. F. Skinner, que afirmava que as condutas poderiam ser modeladas e mantidas a partir dos reforços, ou consequências, daquele comportamento. Já a Modelação foi estruturada por Albert Bandura, que defendia que o aprendizado de novas habilidades poderia ser facilitado pela observação do comportamento de outras pessoas, pela imitação desses comportamentos e pela interação social.

Modelagem – Moldando o comportamento A modelagem como método de ensino, se baseia em reforçar as aproximações que o estudante faz daquele comportamento que foi determinado como alvo e para favorecer essas aproximações, o comportamento alvo pode ser dividido em partes. Em cada etapa do aprendizado, o estudante recebe reforços que aumentam a probabilidade de o comportamento de repetir e se manter.

Segundo Catania (1999, p. 131) “a medida que o responder se altera, os critérios para o reforço diferencial também mudam, em aproximações sucessivas da resposta a ser modelada”. 4 Antecedente Para Sella e Ribeiro (2018), o antecedente é o acontecimento ou estímulo que aparece antes de um comportamento ou resposta, pode ser um comando, um pedido ou qualquer elemento que direcione um comportamento. Por exemplo: a professora pede que os alunos abram o caderno.

O comando verbal da docente é o antecedente para o comportamento dos alunos de abrirem o caderno. A luz acesa do quarto, quando alguém se prepara para dormir, é um antecedente para o comportamento de apagar a luz, nesse caso não houve um comando verbal, mas um estímulo sensorial.

O processo de Modelagem sempre deve partir de uma avaliação inicial e possui as seguintes etapas:

ü  Identificação do repertório inicial.

ü  2. Identificação do comportamento alvo.

ü  3. Variação do repertório com reforçamento.

ü  4. Novas respostas emitidas.

ü  5. Comportamento alvo atingido.

A identificação do repertório inicial se refere à primeira observação que o profissional realiza do estudante. Nessa estapa é determinada quais habilidades ele já domina e quais não precisam ser ensinadas, não necessitam de correção ou que não fazem parte de seu repertório.

A partir dessa avaliação, o profissional deverá elaborar um plano de estudos e intervenções com a identificação dos comportamentos alvo. Além disso, o plano de intervenções deve ser discutido com a família do estudante e quando possível, com o próprio indivíduo, para que dessa maneira, os comportamentos devem ser ensinados são determinados.

A próxima etapa se refere à intervenção direta com o estudante, promovendo a variação do repertório, que será reforçada a medida que a resposta se aproximar do comportamento alvo, ou extinta quando a resposta não estiver de acordo com o esperado.

O reforçamento é uma consequência da resposta emitida pelo estudante como uma estratégia para aumentar a probabilidade de uma resposta ser emitida após um estímulo ou comando.

Esse reforço funciona como um tipo de recompensa, que pode ser verbal, com uso de palavras de incentivo, ou tangível, como uma guloseima, bebida ou tempo com um brinquedo favorito.

Com a variação do repertório de comportamento, novas respostas são emitidas, e quando reforçadas, levarão o estudante a atingir o comportamento alvo. Vejamos um exemplo.

No repertório de uma criança com TEA foi identificada a ausência do comportamento de escovar os dentes ao acordar ou após as refeições. Esse comportamento possui uma sequência de habilidades que devem ser dominadas e que podem ser ensinadas individualmente.

A primeira habilidade pode ser a forma de utilizar a escova dental, esta será então, a primeira intervenção.

1º passo: A intervenção pode iniciar com a apresentação do objeto, a escova dental, que deverá ser colocada sobre a mesa de atividades ou sobre a pia do banheiro. O profissional então dá um comando (antecedente) pedindo ao estudante que pegue a escova, podendo manusear suas mãos para que ele segure o objeto da forma correta. Essa primeira aproximação será reforçada.

2º Passo: Nesse passo, o objeto é colocado novamente sobre a mesa com o pedido para que o estudante o pegue. Se a forma como ele segurou o objeto está correta, sem a necessidade de o profissional manusear as mãos do estudante para ajustar a pegada, essa resposta deverá ser reforçada.

3º Passo: O profissional pede que o estudante leve a escova a boca. Será utilizado o reforço a cada aproximação do comportamento alvo.

 4º Passo: Nesse passo, novamente com a escova sobre a mesa, o profissional pede ao estudante que segura a escova e a leve a boca. Desta vez, que faça o movimento de escovação. Poderá ser necessário manusear a mão do estudante para que ele movimente a escova em contato com os dentes. O reforço será utilizado mais uma vez.

5º Passo: A escova será colocada sobre a mesa e todo o comportamento deverá ser repetido, até que o estudante segure a escova, leve a boca e faça o movimento de escovação sem a necessidade de reforçamento.

Esse será o comportamento alvo atingido. As próximas intervenções para ensinar o comportamento de escovar os dentes poderão conter o uso do creme dental, o uso da torneira e outras coisas.

O comportamento final foi moldado, a partir de aproximações sucessivas. Respostas: Dimensões e características Durante as intervenções, a depender do tipo de habilidade que se está ensinando, vários tipos de respostas poderão se manifestar.

Como prática baseada em evidência, o processo da modelagem deve ser registrado para certificar o processo de aprendizagem, e com isso algumas informações importantes sobre as respostas emitidas devem ser consideradas.

Catania (1999, p. 131) afirma que “duas respostas nunca são uma mesma resposta e o reforço de uma resposta produz um espectro de respostas, cada uma das quais difere da resposta reforçada ao longo de algumas dimensões”.

As Dimensões de Resposta são as seguintes: Topografia: a aparência da resposta, como ela se apresenta e pode ser observada. Frequência: quantidade de vezes que a resposta aparece após um antecedente.

Duração: quantidade de tempo que dura a resposta. Latência: intervalo entre o antecedente e a resposta. Intensidade: é a “força” da resposta, a possibilidade de ela acontecer sem um comando. Catania (1999) afirma que quando observadas estas dimensões, o profissional poderá determinar quais respostas estão mais próximas daquela desejada, podendo então selecionar estas para que sejam reforçadas.

Como exemplo, temos em relação a topografia, a resposta de segurar um lápis, que está mais próxima da resposta de segurar a escova dental do que a resposta de segurar uma bola.

Durante o processo de ensino do comportamento de escovar os dentes, se o estudante segura o lápis quando o profissional solicita que ele pegue a escova, essa resposta poderá ser reforçada para se aproximar do comportamento alvo, que é segurar a escova dental.

Registros A Modelagem é um método consistente e que pode ser aplicado para ensino de diversos comportamentos, destacando a importância de adotar um modelo de registro para a certificação do aprendizado, bem como para planejar intervenções a medida que as necessidades dos alunos se apresentam. No registro é comum que o planejamento sofra modificações, por isso, o modelo ou tipo de registro ficará a critério do profissional, no entanto, devem seguir padrões pertinentes a Análise de Comportamento Aplicada.

Modelação – Ensino por demonstração, observação e imitação A modelação é uma técnica ou procedimento de ensino que utiliza modelos de comportamento para serem observados e imitados. Esta técnica foi estudada por psicólogos behavioristas, porém foi sistematizada por Albert Bandura, que embora não estivesse ligado ao behaviorismo, forneceu grandes contribuições para o estudo dos comportamentos.

Almeida et al. (2013) afirmam que no pensamento de Bandura, o comportamento social das pessoas pode influenciar o aprendizado, e por isso elas seriam modelos de aprendizagem. No processo de modelação, o profissional apresenta um modelo de comportamento a ser observado e reproduzido, podendo ser apresentado pelo próprio profissional, pelo educador ou pela família.

Esse procedimento é chamado de Modelação Real, ou pode ser apresentado por meio de vídeos, conhecido como Vídeo Modelação.

Benefícios da Modelação e Vídeo Modelação Os principais benefícios da modelação estão relacionados a: Prática baseada em evidências. Contribui para a interação social.

Promove aumento de repertório. Aplicável em contextos diversificados. Não exige recursos específicos (exceto na vídeo modelação). Como Prática Baseada em Evidências, a modelação está em conformidade com as dimensões da ABA, publicadas pelos pesquisadores behavioristas da Universidade do Kansas, Donald Baer, Montrose Wolf e Todd Risley (1968) no Journal of Applied Behavior Analysis em sua primeira edição.

Essas dimensões ressaltam o caráter aplicado da ABA, a partir da melhora da qualidade de vida do estudante e da resolução de problemas de relevância social.

Ressaltam também a avaliação de efetividade de mudança dos comportamentos após a intervenção, da análise de evidências com dados mensuráveis, da replicação dos procedimentos realizados e dos conceitos e princípios da Análise do Comportamento.

A modelação favorece a interação social, embora não seja essencial no processo de ensino, uma vez que o modelo não precisa interagir efetivamente com o estudante. No processo de modelação real, é importante que o estudante se sinta a vontade para reproduzir o comportamento e a interação poderá ser fortalecida pelo processo de modelação.

A partir da modelação, o estudante poderá não apenas aprender determinado comportamento modelado para ele, mas aprender a própria técnica. Isso significa que no dia a dia, caso o estudante se depare com uma situação que não foi previamente modelada pelo profissional, ele poderá praticar a observação e a imitação a partir de modelos não introduzidos no ambiente terapêutico.

Outra característica da modelação está relacionada ao uso de reforçadores. Muitas vezes, os reforços são introduzidos de forma intencional no processo de aprendizagem, e são oferecidos imediatamente após uma resposta emitida pelo estudante.

Na modelação, os reforçadores podem ou não ser utilizados, e na maioria das vezes estão incluídos no próprio contexto da modelação.

Vejamos um exemplo.

Um paciente adulto com Transtorno do Espectro do Autismo possui muita dificuldade de entrar em uma livraria que nunca frequentou, embora demonstre interesse nessa atividade social. Todas as vezes que ele passa em frente a livraria, sente vontade de entrar, mas não o faz por não saber como se comportar naquele ambiente.

De acordo com as técnicas de modelação, o paciente poderá observar outros clientes, observar como manuseiam os livros e como escolhem o exemplar que desejam comprar, lendo a sinopse da contracapa ou o folheando.

Depois observa o caminho até o caixa e a forma como o cliente efetua o pagamento, e a partir deste processo, o paciente terá subsídios para executar o mesmo comportamento com mais segurança, compreendendo quais comportamentos são adequados para aquele contexto.

O reforçador do comportamento, nesse caso, será a conclusão da tarefa de comprar um livro, fazendo com que a probabilidade de que o comportamento se repeta em situações semelhantes seja aumentada. Vídeo Modelação – possiblidades e desafios A vídeo modelação é uma variação da modelação em que o modelo de comportamento é apresentado em telas, seguido da orientação para que o estudante reproduza. Para garantir o sucesso da intervenção, são necessários alguns cuidados: O estudante deve ter familiaridade com telas.

O contexto de uso deve ser cuidadoso, não pode ser realizado em qualquer lugar. Os estímulos sonoros do vídeo e do entorno devem ser controlados. Os vídeos devem ser de boa qualidade, com resolução e iluminação adequadas.

Os modelos utilizados nos vídeos devem ser relevantes e de fácil identificação pelo estudante. A duração dos vídeos deve ser adequada ao comportamento a ser demonstrado, evitando vídeos muito longos e tediosos.

O planejamento deve envolver o roteiro do vídeo, o ambiente de exibição e o momento da resposta/reprodução do comportamento, que pode ser imediatamente após a exibição ou em momento posterior. Um dos maiores benefícios do vídeo modelação é a possibilidade de reprodução ilimitada até que o comportamento seja aprendido.

O vídeo poderá ser assistido quantas vezes forem necessárias e a demonstração do comportamento não estará limitada a modelação real.

A vídeo modelação também permite um maior controle do processo de aprendizado, já que o profissional selecionará comportamentos e situações específicas para exibir em vídeo. Além disso, o mesmo vídeo poderá ser exibido em atendimentos individuais ou para grupos maiores, possibilitando a flexibilidade no tipo de intervenção.

Conclusão

A modelagem e a modelação na psicologia representam ferramentas poderosas para compreender e prever o comportamento humano. São duas práticas baseadas em evidências com eficácia comprovada no ensino de habilidades socialmente relevantes.

A modelagem, como método de ensino por aproximações sucessivas, molda comportamentos complexos por meio da fragmentação desses comportamentos em pequenos passos. A modelação, por sua vez, amplia o repertório comportamental por meio da observação de modelos.

As duas técnicas se destacam pelas possibilidades de aplicação e flexibilidade, podendo ser adaptadas a diferentes contextos e utilizadas em conjunto.

Portanto, a modelagem e a modelação desempenham um papel fundamental na psicologia, oferecendo percepções valiosas sobre a mente humana e fornecendo uma base sólida para a pesquisa e a prática clínica.

A aplicação consistente das práticas de modelagem e modelação, associadas a avaliação da progressão do aprendizado, podem representar um passo fundamental no desenvolvimento social, cognitivo e motor de pessoas com TEA, promovendo sua autonomia e inclusão social.

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!
Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.Amigo é a base quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!
Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

Oração do Professor


"Obrigado, Senhor, por atribuir-me a missão de ensinar e por fazer de mim uma professora no mundo da educação.

Eu te agradeço pelo compromisso de formar tantas pessoas e te ofereço todos os meus dons.

São grandes os desafios de cada dia, mas é gratificante ver os objetivos alcançados, na raça de servir, colaborar e ampliar os horizontes do conhecimento.

Quero celebrar as minhas conquistas exaltando também o sofrimento que me fez crescer e evoluir.

Quero renovar cada dia a coragem de sempre recomeçar.

Senhor!

Inspira-me na minha vocação de mestre e comunicador para melhor poder servir.

Abençoa todos os que se empenham neste trabalho iluminando-lhes o caminho.

Obrigado, meu Deus, pelo dom da vida e por fazer de mim uma educadora consciente, comprometida hoje e sempre. Amém!"