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2 de nov. de 2022

 

Modelagem e modelação

         A ABA e Práticas Baseadas em Evidências A Análise de Comportamento Aplicada, mais conhecida como ABA (sigla do inglês Applied Behavior Analysis), é uma ciência derivada da abordagem psicológica chamada Análise do Comportamento, que tem como objeto do estudo o comportamento humano e as interações comportamento-ambiente.

O objetivo da ABA, não é somente o estudo do comportamento, mas a aplicação prática da ciência com foco na análise e na modificação comportamental, buscando promover o desenvolvimento e aprendizagem de habilidades socialmente relevantes, reduzir os déficits comportamentais e tem sido aplicada de forma exitosa no tratamento de crianças, adolescentes e adultos com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

As abordagens da ABA passaram por diversas modificações desde os primeiros estudos da área e atualmente são referenciadas 28 práticas.

Essas práticas são baseadas em evidências que se mostraram significativas na intervenção educacional para pessoas com desenvolvimento atípico e dentre elas, estão as chamadas Modelagem e a Modelação. Modelagem e Modelação: definição e diferenças Modelagem e Modelação são duas práticas que frequentemente aparecem juntas no processo de intervenção educacional para pessoas com TEA, no entanto possuem diferenças conceituais e de aplicação.

Modelagem:

Consiste no método de ensino por aproximações sucessivas do comportamento alvo. Modelação: É a técnica de demonstração de um comportamento ou habilidade para aprendizado por observação e imitação. Os dois conceitos foram estudados e estruturados por pesquisadores diferentes. A Modelagem teve origem com os estudos de B. F. Skinner, que afirmava que as condutas poderiam ser modeladas e mantidas a partir dos reforços, ou consequências, daquele comportamento. Já a Modelação foi estruturada por Albert Bandura, que defendia que o aprendizado de novas habilidades poderia ser facilitado pela observação do comportamento de outras pessoas, pela imitação desses comportamentos e pela interação social.

Modelagem – Moldando o comportamento A modelagem como método de ensino, se baseia em reforçar as aproximações que o estudante faz daquele comportamento que foi determinado como alvo e para favorecer essas aproximações, o comportamento alvo pode ser dividido em partes. Em cada etapa do aprendizado, o estudante recebe reforços que aumentam a probabilidade de o comportamento de repetir e se manter.

Segundo Catania (1999, p. 131) “a medida que o responder se altera, os critérios para o reforço diferencial também mudam, em aproximações sucessivas da resposta a ser modelada”. 4 Antecedente Para Sella e Ribeiro (2018), o antecedente é o acontecimento ou estímulo que aparece antes de um comportamento ou resposta, pode ser um comando, um pedido ou qualquer elemento que direcione um comportamento. Por exemplo: a professora pede que os alunos abram o caderno.

O comando verbal da docente é o antecedente para o comportamento dos alunos de abrirem o caderno. A luz acesa do quarto, quando alguém se prepara para dormir, é um antecedente para o comportamento de apagar a luz, nesse caso não houve um comando verbal, mas um estímulo sensorial.

O processo de Modelagem sempre deve partir de uma avaliação inicial e possui as seguintes etapas:

ü  Identificação do repertório inicial.

ü  2. Identificação do comportamento alvo.

ü  3. Variação do repertório com reforçamento.

ü  4. Novas respostas emitidas.

ü  5. Comportamento alvo atingido.

A identificação do repertório inicial se refere à primeira observação que o profissional realiza do estudante. Nessa estapa é determinada quais habilidades ele já domina e quais não precisam ser ensinadas, não necessitam de correção ou que não fazem parte de seu repertório.

A partir dessa avaliação, o profissional deverá elaborar um plano de estudos e intervenções com a identificação dos comportamentos alvo. Além disso, o plano de intervenções deve ser discutido com a família do estudante e quando possível, com o próprio indivíduo, para que dessa maneira, os comportamentos devem ser ensinados são determinados.

A próxima etapa se refere à intervenção direta com o estudante, promovendo a variação do repertório, que será reforçada a medida que a resposta se aproximar do comportamento alvo, ou extinta quando a resposta não estiver de acordo com o esperado.

O reforçamento é uma consequência da resposta emitida pelo estudante como uma estratégia para aumentar a probabilidade de uma resposta ser emitida após um estímulo ou comando.

Esse reforço funciona como um tipo de recompensa, que pode ser verbal, com uso de palavras de incentivo, ou tangível, como uma guloseima, bebida ou tempo com um brinquedo favorito.

Com a variação do repertório de comportamento, novas respostas são emitidas, e quando reforçadas, levarão o estudante a atingir o comportamento alvo. Vejamos um exemplo.

No repertório de uma criança com TEA foi identificada a ausência do comportamento de escovar os dentes ao acordar ou após as refeições. Esse comportamento possui uma sequência de habilidades que devem ser dominadas e que podem ser ensinadas individualmente.

A primeira habilidade pode ser a forma de utilizar a escova dental, esta será então, a primeira intervenção.

1º passo: A intervenção pode iniciar com a apresentação do objeto, a escova dental, que deverá ser colocada sobre a mesa de atividades ou sobre a pia do banheiro. O profissional então dá um comando (antecedente) pedindo ao estudante que pegue a escova, podendo manusear suas mãos para que ele segure o objeto da forma correta. Essa primeira aproximação será reforçada.

2º Passo: Nesse passo, o objeto é colocado novamente sobre a mesa com o pedido para que o estudante o pegue. Se a forma como ele segurou o objeto está correta, sem a necessidade de o profissional manusear as mãos do estudante para ajustar a pegada, essa resposta deverá ser reforçada.

3º Passo: O profissional pede que o estudante leve a escova a boca. Será utilizado o reforço a cada aproximação do comportamento alvo.

 4º Passo: Nesse passo, novamente com a escova sobre a mesa, o profissional pede ao estudante que segura a escova e a leve a boca. Desta vez, que faça o movimento de escovação. Poderá ser necessário manusear a mão do estudante para que ele movimente a escova em contato com os dentes. O reforço será utilizado mais uma vez.

5º Passo: A escova será colocada sobre a mesa e todo o comportamento deverá ser repetido, até que o estudante segure a escova, leve a boca e faça o movimento de escovação sem a necessidade de reforçamento.

Esse será o comportamento alvo atingido. As próximas intervenções para ensinar o comportamento de escovar os dentes poderão conter o uso do creme dental, o uso da torneira e outras coisas.

O comportamento final foi moldado, a partir de aproximações sucessivas. Respostas: Dimensões e características Durante as intervenções, a depender do tipo de habilidade que se está ensinando, vários tipos de respostas poderão se manifestar.

Como prática baseada em evidência, o processo da modelagem deve ser registrado para certificar o processo de aprendizagem, e com isso algumas informações importantes sobre as respostas emitidas devem ser consideradas.

Catania (1999, p. 131) afirma que “duas respostas nunca são uma mesma resposta e o reforço de uma resposta produz um espectro de respostas, cada uma das quais difere da resposta reforçada ao longo de algumas dimensões”.

As Dimensões de Resposta são as seguintes: Topografia: a aparência da resposta, como ela se apresenta e pode ser observada. Frequência: quantidade de vezes que a resposta aparece após um antecedente.

Duração: quantidade de tempo que dura a resposta. Latência: intervalo entre o antecedente e a resposta. Intensidade: é a “força” da resposta, a possibilidade de ela acontecer sem um comando. Catania (1999) afirma que quando observadas estas dimensões, o profissional poderá determinar quais respostas estão mais próximas daquela desejada, podendo então selecionar estas para que sejam reforçadas.

Como exemplo, temos em relação a topografia, a resposta de segurar um lápis, que está mais próxima da resposta de segurar a escova dental do que a resposta de segurar uma bola.

Durante o processo de ensino do comportamento de escovar os dentes, se o estudante segura o lápis quando o profissional solicita que ele pegue a escova, essa resposta poderá ser reforçada para se aproximar do comportamento alvo, que é segurar a escova dental.

Registros A Modelagem é um método consistente e que pode ser aplicado para ensino de diversos comportamentos, destacando a importância de adotar um modelo de registro para a certificação do aprendizado, bem como para planejar intervenções a medida que as necessidades dos alunos se apresentam. No registro é comum que o planejamento sofra modificações, por isso, o modelo ou tipo de registro ficará a critério do profissional, no entanto, devem seguir padrões pertinentes a Análise de Comportamento Aplicada.

Modelação – Ensino por demonstração, observação e imitação A modelação é uma técnica ou procedimento de ensino que utiliza modelos de comportamento para serem observados e imitados. Esta técnica foi estudada por psicólogos behavioristas, porém foi sistematizada por Albert Bandura, que embora não estivesse ligado ao behaviorismo, forneceu grandes contribuições para o estudo dos comportamentos.

Almeida et al. (2013) afirmam que no pensamento de Bandura, o comportamento social das pessoas pode influenciar o aprendizado, e por isso elas seriam modelos de aprendizagem. No processo de modelação, o profissional apresenta um modelo de comportamento a ser observado e reproduzido, podendo ser apresentado pelo próprio profissional, pelo educador ou pela família.

Esse procedimento é chamado de Modelação Real, ou pode ser apresentado por meio de vídeos, conhecido como Vídeo Modelação.

Benefícios da Modelação e Vídeo Modelação Os principais benefícios da modelação estão relacionados a: Prática baseada em evidências. Contribui para a interação social.

Promove aumento de repertório. Aplicável em contextos diversificados. Não exige recursos específicos (exceto na vídeo modelação). Como Prática Baseada em Evidências, a modelação está em conformidade com as dimensões da ABA, publicadas pelos pesquisadores behavioristas da Universidade do Kansas, Donald Baer, Montrose Wolf e Todd Risley (1968) no Journal of Applied Behavior Analysis em sua primeira edição.

Essas dimensões ressaltam o caráter aplicado da ABA, a partir da melhora da qualidade de vida do estudante e da resolução de problemas de relevância social.

Ressaltam também a avaliação de efetividade de mudança dos comportamentos após a intervenção, da análise de evidências com dados mensuráveis, da replicação dos procedimentos realizados e dos conceitos e princípios da Análise do Comportamento.

A modelação favorece a interação social, embora não seja essencial no processo de ensino, uma vez que o modelo não precisa interagir efetivamente com o estudante. No processo de modelação real, é importante que o estudante se sinta a vontade para reproduzir o comportamento e a interação poderá ser fortalecida pelo processo de modelação.

A partir da modelação, o estudante poderá não apenas aprender determinado comportamento modelado para ele, mas aprender a própria técnica. Isso significa que no dia a dia, caso o estudante se depare com uma situação que não foi previamente modelada pelo profissional, ele poderá praticar a observação e a imitação a partir de modelos não introduzidos no ambiente terapêutico.

Outra característica da modelação está relacionada ao uso de reforçadores. Muitas vezes, os reforços são introduzidos de forma intencional no processo de aprendizagem, e são oferecidos imediatamente após uma resposta emitida pelo estudante.

Na modelação, os reforçadores podem ou não ser utilizados, e na maioria das vezes estão incluídos no próprio contexto da modelação.

Vejamos um exemplo.

Um paciente adulto com Transtorno do Espectro do Autismo possui muita dificuldade de entrar em uma livraria que nunca frequentou, embora demonstre interesse nessa atividade social. Todas as vezes que ele passa em frente a livraria, sente vontade de entrar, mas não o faz por não saber como se comportar naquele ambiente.

De acordo com as técnicas de modelação, o paciente poderá observar outros clientes, observar como manuseiam os livros e como escolhem o exemplar que desejam comprar, lendo a sinopse da contracapa ou o folheando.

Depois observa o caminho até o caixa e a forma como o cliente efetua o pagamento, e a partir deste processo, o paciente terá subsídios para executar o mesmo comportamento com mais segurança, compreendendo quais comportamentos são adequados para aquele contexto.

O reforçador do comportamento, nesse caso, será a conclusão da tarefa de comprar um livro, fazendo com que a probabilidade de que o comportamento se repeta em situações semelhantes seja aumentada. Vídeo Modelação – possiblidades e desafios A vídeo modelação é uma variação da modelação em que o modelo de comportamento é apresentado em telas, seguido da orientação para que o estudante reproduza. Para garantir o sucesso da intervenção, são necessários alguns cuidados: O estudante deve ter familiaridade com telas.

O contexto de uso deve ser cuidadoso, não pode ser realizado em qualquer lugar. Os estímulos sonoros do vídeo e do entorno devem ser controlados. Os vídeos devem ser de boa qualidade, com resolução e iluminação adequadas.

Os modelos utilizados nos vídeos devem ser relevantes e de fácil identificação pelo estudante. A duração dos vídeos deve ser adequada ao comportamento a ser demonstrado, evitando vídeos muito longos e tediosos.

O planejamento deve envolver o roteiro do vídeo, o ambiente de exibição e o momento da resposta/reprodução do comportamento, que pode ser imediatamente após a exibição ou em momento posterior. Um dos maiores benefícios do vídeo modelação é a possibilidade de reprodução ilimitada até que o comportamento seja aprendido.

O vídeo poderá ser assistido quantas vezes forem necessárias e a demonstração do comportamento não estará limitada a modelação real.

A vídeo modelação também permite um maior controle do processo de aprendizado, já que o profissional selecionará comportamentos e situações específicas para exibir em vídeo. Além disso, o mesmo vídeo poderá ser exibido em atendimentos individuais ou para grupos maiores, possibilitando a flexibilidade no tipo de intervenção.

Conclusão

A modelagem e a modelação na psicologia representam ferramentas poderosas para compreender e prever o comportamento humano. São duas práticas baseadas em evidências com eficácia comprovada no ensino de habilidades socialmente relevantes.

A modelagem, como método de ensino por aproximações sucessivas, molda comportamentos complexos por meio da fragmentação desses comportamentos em pequenos passos. A modelação, por sua vez, amplia o repertório comportamental por meio da observação de modelos.

As duas técnicas se destacam pelas possibilidades de aplicação e flexibilidade, podendo ser adaptadas a diferentes contextos e utilizadas em conjunto.

Portanto, a modelagem e a modelação desempenham um papel fundamental na psicologia, oferecendo percepções valiosas sobre a mente humana e fornecendo uma base sólida para a pesquisa e a prática clínica.

A aplicação consistente das práticas de modelagem e modelação, associadas a avaliação da progressão do aprendizado, podem representar um passo fundamental no desenvolvimento social, cognitivo e motor de pessoas com TEA, promovendo sua autonomia e inclusão social.

 Generalização de estímulos

Generalização

A Generalização é uma das sete dimensões da Análise do Comportamento Aplicada (ABA) publicadas por Baer et al. (1968, p. 96), que descrevem este processo como sendo uma característica da mudança de comportamento, que deve ser “durável ao longo do tempo […] aparecer numa ampla variedade de ambientes possíveis, ou espalhar-se por uma ampla variedade de comportamentos relacionados”.

A manutenção de uma resposta previamente treinada com técnicas da ABA que se ampliam para outros materiais, lugares, pessoas e contextos não treinados também fazem parte do método de generalização. O processo de emitir uma mesma resposta a estímulos diferentes é chamado de Generalização de Estímulos.

Generalização de Estímulos

Generalização de estímulos é o termo que descreve a resposta a estímulos não treinados, que compartilham características semelhantes (materiais, lugares, pessoas, contextos) com o estímulo inicial ou o estímulo discriminativo (SD).

Exemplo: se um estudante é ensinado a pedir água em sua casa e ele emite o mesmo pedido na escola, tal situação pode ser considerada generalização de estímulo. A resposta previamente ensinada foi emitida de uma forma nova e não treinada, em um contexto diferente e com outras pessoas.

A generalização de estímulos poderia acontecer da mesma forma com outras pessoas ou outros lugares. O SD (a sede), foi generalizado ao ponto de o estudante ser capaz de emitir uma resposta (o pedido de água), mesmo que essas novas situações não tivessem sido treinadas, por isso, o processo de generalização é relevante por vários motivos.

Não seria possível ensinar diretamente um estudante a responder ao estímulo em todas as ocasiões que ocorresse. Se não houvesse a generalização do estímulo, seria necessário ensinar a pedir água na sua casa, na escola, na rua, no parque, no shopping e qualquer outro lugar, a cada vez que o indivíduo sentir sede.

Quanto mais semelhantes forem os estímulos, maior a probabilidade do indivíduo responder de modo operante, ou seja, se usou de reforçadores, do mesmo modo que respondeu anteriormente em que o reforço foi utilizado. Os estímulos são divididos em classes, segundo sua semelhança ou relações com as respostas.

Classes de Estímulos

Uma classe é um grupo de estímulos que compartilham características físicas, locais, temporais ou funcionais e são divididas por similaridade, por equivalência ou por relações por uma resposta comum.

 Similaridade

Um estímulo é considerado similar ao SD quando possui características físicas semelhantes a ele. Essa semelhança pode ser pela cor, pela forma, o cheiro, som e outras diversas características.

Exemplo: o profissional está ensinando a cor vermelha. Ele apresenta um brinquedo na cor escolhida (SD) e pede ao estudante que pegue o objeto dizendo “pegue o brinquedo vermelho”. O estudante então pega o brinquedo (Resposta). Em outro momento, num contexto diferente, a mãe do estudante pede que ele pegue um copo vermelho no balcão. Se o estudante pega corretamente, considera-se que ele generalizou o estímulo (a cor vermelha) para objetos com essa característica.

Equivalência

Os estímulos podem ser equivalentes pela simetria, pela transitividade ou pela reflexividade. Esses termos foram emprestados da linguagem matemática, por isso é muito comum encontrar fórmulas com variáveis nos materiais que se referem às classes de estímulos por equivalência.

Para a simetria (S):

S: A r B = B r A – se o elemento A tem relação com o elemento B, então o elemento B tem relação com o elemento A.

Para a Transitividade (T):

T: A r B e B r C, então A r C – se o elemento A tem relação com o elemento B, e o elemento B tem relação com o elemento C, então o elemento A tem relação com o elemento C.

Para a Reflexividade (R):

R: A r A – o elemento A tem relação com ele mesmo.

Transpondo para um exemplo, imagine que o profissional está ensinando o estudante a falar "gato". Em um primeiro momento, ele apresenta um cartão com o desenho de um gato e diz “gato”, pedindo que o estudante repita. Nesse caso, os estímulos “desenho de gato” e o som da palavra “gato” são simétricos. Eles não possuem nenhuma similaridade, porém fazem parte de uma mesma classe de estímulos.

Imagine que ao invés de mostrar um cartão com uma imagem, o profissional exibe um cartão com a palavra "gato" e emite novamente o som da palavra “gato”. O estudante então pega o cartão com a imagem do animal e repete “gato”.

É possível perceber que o estudante generalizou os estímulos por transitividade, visto que o estudante identificou que a escrito “gato” tem relação com o som da palavra falada, da mesma forma que o cartão com a imagem de um gato, pois são estímulos equivalentes por transitividade.

Por fim, se esse estudante se deparar com um gato em outro momento e for capaz de dizer “gato”, considera-se que ele generalizou o estímulo equivalente pela simetria que a imagem do gato possui com o próprio animal.

Relações arbitrárias mediadas por resposta comum

Nesse caso, a função do estímulo é a mesma do SD, embora não compartilhem similaridades físicas e nem sejam equivalentes.

Exemplo: os instrumentos musicais são estímulos arbitrários, cada um possui uma aparência física e emitem um som diferente, porém a resposta emitida frente a esses estímulos é a mesma, fazer música (ou emitir um som), por isso, eles correspondem a uma mesma classe de estímulos.

Classes funcionais

Nas classes funcionais, os estímulos podem não partilharem similaridades formais, mas diante de um contexto de aprendizagem, podem ser incluídos em uma mesma classe para desencadear a mesma resposta.

Exemplo: os lobos não fazem parte da mesma classe dos cachorros, embora sejam biologicamente da mesma família. No entanto, se o estudante está aprendendo a dizer “cachorro”, e emite essa resposta quando se depara com a imagem de um lobo, pode-se dizer que ambos estímulos estão em uma classe funcional, mesmo que não estejam na mesma classe do ponto de vista formal.

Testes de Generalização

Durante o processo de intervenção, podem ser necessários a realização de testes para medir a probabilidade de uma resposta ser emitida diante de estímulos diferentes.

Os testes representam a capacidade de generalização do aluno diante da variação do SD, e a frequência de respostas deve se manter, quanto mais similares forem os estímulos, assim como diminuem quanto menos parecidos. Para esses testes, podem ser utilizados gradientes de estímulos.

Gradiente de Estímulos são as mudanças que ocorrem a partir do SD (estímulo treinado). A partir desse exemplo é possível medir a capacidade de generalização de um estímulo, visto que conforme mudam as características, a probabilidade de dizer “bola” diminui.

Conclusão

Pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo podem apresentar dificuldades de responder um comportamento já aprendido quando está em um contexto diferente daquele em que o comportamento foi ensinado. Dessa forma, é necessário que a Generalização seja ensinada desde o início do atendimento.

A Generalização ajuda a garantir que o estudante esteja preparado para responder corretamente em situações que exigem sua autonomia, em que o estímulo de mando não seja necessário ou desejável, permitindo flexibilidade comportamental, eficiência na aprendizagem, uma maior compreensão do mundo e qualidade de vida ao estudante com TEA.

 

Ensino por tentativas discretas

 

Ensino por Tentativas Discretas (DTT), cuja sigla remete ao inglês Discrete Trial Teaching, é um método de estudo estruturado, sistemático, planejado e controlado que envolve o ensino de habilidades e comportamentos de forma fragmentada, por meio de repetições e estímulos, seguidos de reforçamentos.

Ele foi sistematizado pelo pesquisador, professor e psicólogo Ole Ivar Lovaas, ao publicar um estudo pioneiro com evidências consistentes de modificação de comportamentos de crianças autistas. Recentemente, o trabalho A Work in Progress: Behavior Management Strategies and a Curriculum for Intensive Behavioral Treatment of Autism (1999), dos autores Ron Leaf e John MacEachin, se tornou um dos trabalhos mais completos e importantes sobre a aplicação do Ensino por Tentativas Discretas, com inúmeras habilidades e exemplos de aplicação.

A palavra Discreta é derivada da linguagem matemática e significa que cada tentativa possui início e fim bem definidos. O uso dos estímulos e das respostas são cuidadosamente planejados e implementados e as recompensas são aplicadas para reforçar uma resposta desejada.

 

Etapas do Ensino por Tentativas Discretas

A aplicação do Ensino por Tentativas Discretas possui algumas etapas essenciais que correspondem ao processo de ensino. Cada sessão de aplicação envolve a repetição das tentativas e cada parte de uma habilidade deve ser dominada antes de avançar para a próxima.

Pré-treino ou pré-teste: corresponde ao planejamento e elaboração de um plano de estudos individual das habilidades e comportamentos, sendo que essa estapa se inicia com a observação e discussão sobre quais habilidades deverão ser ensinadas, podendo ser a fragmentação das habilidades em pequenos passos e sequenciação lógica das tentativas. Além disso, há a seleção da ferramenta de controle e registro, que pode ser feita com planilhas e quadros, a definição do local de aplicação, geralmente em ambiente terapêutico controlado e a seleção dos materiais a serem utilizados.

Inicialmente, as sessões devem ser realizadas individualmente, porém, poderão ocorrer de forma coletiva à medida que o estudante participa e desenvolve habilidades de escuta e espera.

Antecedente (SD): também chamado de estímulo discriminativo, é a instrução, comando ou estímulo fornecido pelo profissional indicando ao estudante o comportamento desejado. O SD deve ser claro e sucinto, contendo apenas um comando ou instrução.

Resposta (R): é o comportamento emitido pelo estudante logo após a apresentação do SD. A resposta poderá ser verbal, motora ou comportamental, a depender de qual habilidade está sendo ensinada.

Consequência (SR): ou Estímulo Reforçador, é a recompensa oferecida ao estudante logo após a sua resposta. O SR pode ser tangível, como uma guloseima ou tempo com um brinquedo, ou pode ser em forma de palavras de incentivo e elogios, como “isso mesmo!” ou “muito bem”. O SR deve ser empregado imediatamente após a resposta e pode ser positivo ou negativo. No caso de SR negativo, o profissional pode simplesmente dizer a palavra “não”.

Intervalo Entre Tentativas (ITI): o ITI é o tempo que o profissional deve esperar entre o fim de uma tentativa e o início de outra. O nível de complexidade da habilidade que está sendo ensinada, deverá ser considerado, além da idade do estudante e as habilidades que ele já domina. Este processo tem a função de permitir que o aluno compreenda as informações da tentativa anterior e a passagem de um ciclo SD-R-SR para outro, sem que o aprendizado se torne desorganizado.

Prompt: ou dica, é qualquer informação, instrução ou ajuda que o profissional fornece ao estudante para que ele emita uma R de forma correta. Ele deve ser utilizado apenas quando necessário, e deve ser gradualmente retirado até que o estudante emita uma R correta de forma autônoma. Cada tipo de habilidade ensinada pode exigir um tipo de prompt, que pode ser verbal, visual, físico ou gestual.

 

Critérios de aprendizagem

O domínio da habilidade ocorre quando o estudante é capaz de emitir uma resposta correta de forma consistente. De acordo com Leaf e MacEachin (1999), cerca de 80 a 90% dos estudantes aprendem uma habilidade em dois ou três dias. É importante ressaltar que os critérios para determinar se uma habilidade é dominada são arbitrários e dependem de fatores individuais de cada estudante.

Tempo de intervenção

O período das sessões vai depender de uma série de fatores como a atenção do estudante, as necessidades de reforçamento e da complexidade das habilidades ensinadas. Uma sessão de Ensino por Tentativas Discretas deve ter no mínimo 50 minutos e ser ampliada conforme a necessidade e as possibilidades. De acordo com Leaf e MacEachin (1999), o tempo ideal para uma sessão, é de 2 a 3 horas por dia, sendo que durante as intervenções, além do ITI, é necessário fornecer uma pequena pausa nas atividades para manter a motivação e a atenção do estudante. Essas pausas devem ser proporcionais ao tempo de um ciclo completo de SD-R-SR.

Exemplo: para cada três rápidas tentativas, pode haver um intervalo de 30 a 60 segundos. Para uma tentativa mais longa, com cerca de 3 minutos, o ideal é uma pausa de 90 segundos. Para tentativas mais longas, usar a proporção de 50% do tempo para uma pausa.

ESTIMULO DISCRIMINATIVO (SD)

RESPOSTA (R)

CONSEQUENCIA (SR)

“BATA PALMAS”

ESTUDANTE PRESTA ATENÇAO E BATE PALMA

“MUITO BEM”

“PULE”

ESTUDANTE PRESTA ATENÇÃO E PULA

“PARABÉNS”

“BATA PALMAS”

ESTUDANTE ESTÁ DISTRAÍDO, MAS BATE PALMAS

“BOM”

“PULE”

ESTUDANTE PRESTA ATENÇÃO, MAS BATE PALMAS

“NÃO”

“PULE”

ESTUDANTE PRESTA ATENÇÃO, MAS NÃO RESPONDE

“NÃO HÁ REFORÇO”

“PULE”

ESTUDANTE ESTÁ DISTRAIDO E NÃO RESPONDE

“VOCÊ NÃO ESTÁ OLHANDO”

“PULE”

ESTUDANTE PRESTA ATENÇÃO E PULA

“ISSO MESMO, VOCÊ CONSEGUIU”

 

 

Manutenção e Generalização

Assim que o aluno consegue executar uma tarefa completa de forma independente, é necessário que ela seja repetida em diferentes ocasiões, em lugares diferentes e ao comando de diferentes pessoas, para que o profissional se certifique que ela se mantém. As tentativas de manutenção são direcionadas para a generalização.

 A generalização é a capacidade de o aluno responder ao mesmo estímulo, sem que seja necessário o reforçamento, que é importante para o desenvolvimento autônomo do estudante. Para favorecer a generalização, a mesma tentativa deve ser praticada em outros ambientes, com diferentes adultos, usando diferentes reforçadores e com diferentes estímulos ou instruções.

Considerações éticas do Ensino por Tentativas Discretas

 As origens das intervenções direcionadas a pessoas com Transtorno do Espectro Autista são controversas. As pesquisas de Ole Ivar Lovaas trouxeram muitas evidências, mas também questionamentos sobre os usos de punições severas, inclusive físicas e de privações, considerados métodos cruéis e degradantes. Atualmente, a Análise de Comportamento Aplicada se opõe ao uso desses métodos, e considera que o respeito pela pessoa humana deve ser o princípio guia de toda e qualquer intervenção baseada nessa ciência.

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!
Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.Amigo é a base quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!
Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

Oração do Professor


"Obrigado, Senhor, por atribuir-me a missão de ensinar e por fazer de mim uma professora no mundo da educação.

Eu te agradeço pelo compromisso de formar tantas pessoas e te ofereço todos os meus dons.

São grandes os desafios de cada dia, mas é gratificante ver os objetivos alcançados, na raça de servir, colaborar e ampliar os horizontes do conhecimento.

Quero celebrar as minhas conquistas exaltando também o sofrimento que me fez crescer e evoluir.

Quero renovar cada dia a coragem de sempre recomeçar.

Senhor!

Inspira-me na minha vocação de mestre e comunicador para melhor poder servir.

Abençoa todos os que se empenham neste trabalho iluminando-lhes o caminho.

Obrigado, meu Deus, pelo dom da vida e por fazer de mim uma educadora consciente, comprometida hoje e sempre. Amém!"