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7 de dez. de 2022

 

O Manejo dos Antecedentes 

Intervenção baseada nos antecedentes ou manejo dos antecedentes, da sigla ABI (Antecedent-Based Interventions), é uma das 28 práticas baseadas em evidências da Análise do Comportamento Aplicada (ABA). O Manejo dos Antecedentes é um conjunto de práticas de modificações ambientais utilizadas para alterar as condições que influenciam o estudante autista a se engajar em um comportamento indesejado. Dessa forma, o antecedente é um evento, ação, circunstância ou condição que ocorre imediatamente antes de um comportamento, e o conhecimento desses antecedentes permite identificar as situações em que o comportamento foi reforçado ou punido e auxilia na previsibilidade do comportamento. Com isso, o objetivo do Manejo dos Antecedentes é identificar as condições em que os comportamentos indesejados ocorrem, para em seguida modificar o ambiente ou as atividades para que elas não provoquem tais comportamentos. 

As funções dos comportamentos no manejo de antecedentes

Todos os comportamentos do repertório de um indivíduo possuem uma função, ou seja, são direcionados para a satisfação de algum desejo ou necessidade. A análise da função dos comportamentos pode ser um elemento diferencial para iniciar intervenções baseadas nos antecedentes, já que a partir da análise da função dos comportamentos, é possível direcionar o olhar para o antecedente de forma proativa. Se um comportamento tiver a função de obter acesso à atenção, é possível identificar o antecedente que desencadeia tal comportamento e modificá-lo para que o acesso à atenção seja realizado de outras maneiras. Por exemplo, ao perceber que a professora está auxiliando outra criança em sua mesa de estudos, a criança autista se joga no chão e começa a se debater, esse comportamento tem a função de obter a atenção da professora. Imediatamente, a professora interrompe o atendimento que fazia e se dirige à criança autista, pergunta se está tudo bem e a abraça, fazendo cessar, neste momento, o comportamento indesejado.  

Em intervenções baseadas nos antecedentes, a orientação do profissional deverá considerar que em um comportamento com função de acesso à atenção, a criança com TEA deverá aprender outras formas de comportamento para chamar a atenção da professora, ou deverá esperar a sua vez de solicitar auxílio. Além de conhecer as funções dos comportamentos, o profissional também deve compreender os tipos de antecedentes.

 

Tipos de Antecedentes

Identificar os eventos antecedentes significa compreender toda a dinâmica de um comportamento em diferentes contextos, já que nenhum comportamento está isolado completamente de suas contingências ambientais. Os antecedentes são geralmente classificados em pelo menos três categorias: antecedentes físicos, antecedentes sociais e antecedentes temporais; e cada tipo pode influenciar um ou mais tipos de comportamentos indesejados.

Antecedentes Físicos

Os antecedentes físicos correspondem a todo o contexto do ambiente, aos objetos e aos recursos visuais, sonoros, gustativos, olfativos e táteis presentes ou disponíveis. Para intervir em um antecedente físico, o profissional deve analisar quais elementos do ambiente estão relacionados a determinado comportamento, e então agir para modificar o comportamento com base nesse antecedente.

Por exemplo, um estudante cobre a boca e se recusa a comer e joga o prato quando um alimento desconhecido é colocado em seu prato. Sem uma intervenção, a consequência mais comum seria retirar o alimento e permitir que o estudante coma apenas os alimentos preferidos. Com a intervenção baseada no antecedente (físico – o novo alimento), as estratégias podem incluir processos de apresentação simultânea – colocar o novo alimento junto com outros alimentos preferidos, esvanecimento de estímulos – introduzir o novo alimento de forma gradual até a aceitação completa, exposições repetidas – o novo alimento é apresentado várias vezes repetidamente, entre outras estratégias. Falaremos mais detalhadamente sobre esses procedimentos nos tópicos abaixo.

 

Antecedentes sociais

Os comportamentos indesejados também podem sofrer influência pela presença ou interação de determinadas pessoas ou pelo estabelecimento de regras explícitas ou implícitas. A maneira como as pessoas interagem, pessoas conhecidas ou desconhecidas presentes no ambiente e a forma como as regras são estabelecidas pode desencadear um tipo de comportamento indesejado.

Por exemplo, um estudante começa a bater em seu próprio rosto e destrói seu caderno quando o professor pede que ele complete a tarefa na sala de aula. O professor então se afasta e o estudante não precisa finalizar seu trabalho. Em uma das possíveis intervenções no antecedente, o professor diz ao aluno que irá ajudá-lo a terminar a tarefa e pede sua permissão para se sentar ao seu lado.

 Antecedentes Temporais

Os antecedentes temporais correspondem à rotina, aos eventos planejados ou não planejados, e aos momentos do dia. Estudantes com TEA podem ter grande apego às rotinas rígidas e bem delineadas, e frequentemente ficam desorganizados mesmo em pequenas mudanças em seu planejamento, por isso, os antecedentes temporais devem ser analisados de forma que permitam ao estudante flexibilizar sua rotina. Por exemplo, o estudante tem comportamentos agressivos pela manhã, quando precisa ser acordado para realizar tarefas como arrumar seu quarto ou estudar para uma prova. A mãe ou o pai do estudante então permitem que ele durma até mais tarde e em sequência arrumam seu quarto. Ao manejar o antecedente desse comportamento agressivo, a intervenção pode considerar realizar alterações na rotina de forma que, ao acordar, o estudante esteja ativo e disposto a realizar suas tarefas. O manejo pode envolver o estabelecimento de um horário fixo para se deitar e dormir, realizar a higiene do sono (um conjunto de atitudes e procedimentos que contribuem para a qualidade do sono) algumas horas antes do horário habitual e limitar o uso de equipamentos eletrônicos ou outros objetos que podem interferir na qualidade do sono.

 

Identificando elementos e implementando intervenções baseadas nos antecedentes

Antes de qualquer processo de intervenção, é essencial que o profissional proceda uma avaliação individual que contemple as especificidades comportamentais do estudante. Para isso, deve-se considerar uma série de perguntas que ajudam a guiar as intervenções e definir seus objetivos. Questões guia para uma avaliação eficiente:

ü  Onde o comportamento está ocorrendo?

ü  Com quem o comportamento ocorre?

ü  Quando o comportamento ocorre?

ü  Quais atividades parecem aumentar o comportamento?

ü  O que as outras pessoas estão fazendo quando o comportamento ocorre?

ü  Qual a proximidade das outras pessoas?

ü  Qual o nível de ruído no ambiente?

ü  Quantas pessoas estão no ambiente?

ü Quais outras condições ambientais e temporais estão presentes antes do comportamento?

ü  Qual a função do comportamento indesejado?

 

Passos para implementação de intervenção baseada no antecedente

1. Definição de objetivos claros e mensuráveis a serem atingidos.

2. Coleta de dados de frequência e duração do comportamento indesejado por um período mínimo.

3. Coleta de dados em diferentes ambientes, contextos e com diferentes pessoas.

4. Identificação de estratégias que abordam a função dos comportamentos indesejados para prevenir sua ocorrência.

5. Elaboração de um Plano Individual de Intervenção com objetivos semanais. 6. Identificação de materiais necessários.

7. Definição dos ambientes de intervenção.

 8. Monitoramento dos progressos do estudante.

Modelos de registro e Plano Individual de Intervenção

Os registros podem ser adotados com base em modelos disponíveis, ou elaborados pelo próprio profissional. A seguir estão algumas informações que a coleta de dados deve conter e um exemplo de plano de intervenção.

Comportamento observado.

Data.

Quantas vezes.

Local de ocorrência.

Reforçamento após a ocorrência.

Duração do comportamento (em minutos).

Hipótese de função do comportamento.

 

Procedimentos e Estratégias  Utilizar as preferências

Nessa estratégia de intervenção, o profissional deverá, durante a coleta de dados, identificar quais são as preferências do estudante, como brinquedos, objetos, alimentos, bebidas, momentos do dia ou pessoas. para assim, aumentar seu interesse em atividades que não envolvam o comportamento indesejado, por exemplo uso de figuras de personagens nos cadernos de tarefas escolares.

Alteração de horários e rotinas

Essa estratégia permite ao estudante se adequar aos diferentes momentos do dia e podem envolver determinar um tempo para realização de tarefas aversivas ao estudante, como, por exemplo, o estudante deverá permanecer sentado durante 5 minutos fazendo uma tarefa, e após esse tempo poderá receber um reforçador. A elaboração de tabelas com horários para cada atividade e fornecer atividades durante períodos de espera é uma técnica que auxilia no processo.

Elaboração de atividades prévias  Aquelas que provocam comportamentos indesejados

Para essa estratégia, a comunicação com o estudante é fundamental, e envolve fornecer avisos sobre as próximas atividade, conceder tempo de descanso durante uma atividade causadora de comportamentos indesejados, revisar tarefas e cronogramas antes dos eventos acontecerem.

Tomada de decisões

Permite ao estudante escolher materiais, tarefas e ambientes, como por exemplo escolher o lugar de se sentar para o lanche, escolher a ordem das atividades a serem realizadas, escolher brinquedos, escolher com quais colegas brincar.

 

Alteração do formato das instruções

Essa estratégia pode incluir elementos de comunicação alternativa. As instruções verbais podem ser substituídas por escrita ou cards com imagens que as representam, ou fornecidas em uma lista de verificação, com passo a passo e detalhes que muitas vezes são irrelevantes para pessoas típicas, mas podem ser significativas para pessoas autistas. Aprimorar o ambiente

Intervenções no ambiente devem favorecer o acesso a elementos que contribuem para comportamentos apropriados, por exemplo, permitir que o estudante manuseie massinha de modelar durante uma explicação expositiva na aula, em substituição ao comportamento de onicofagia, ou fornecer balanço para os pés para estimulação sensorial em substituição às estereotipias.

 Para concluir, é essencial que todos os processos de intervenção sejam acompanhados de ferramentas de registro e monitoramento e uma constante avaliação junto a todos os envolvidos, como professores, família, profissionais de outras áreas de atuação e do próprio estudante, sempre que possível. Essas ações colaboram para a revisão do plano e verificação da necessidade de modificações.

25 de nov. de 2022

 

O comportamento e suas funções:

O que é comportamento indesejado?

Na Análise de Comportamento Aplicada (ABA), as intervenções devem ser guiadas para o ensino de comportamentos apropriados para uma vida autônoma e para a modificação de comportamentos inadequados. Segundo Skinner (1953), todos os comportamentos possuem uma função e são emitidos pelas suas consequências. É pela busca da satisfação de desejos e necessidades que um indivíduo age e se comporta na sociedade, dessa forma, para iniciar uma intervenção baseada em ABA, não basta apenas analisar a topografia de um comportamento (a forma como ele se apresenta e pode ser descrito), é essencial identificar sua função, ou seja, identificar a qual desejo ou necessidade aquele comportamento é relacionado. As quatro principais funções do comportamento são: fuga ou esquiva, acesso à atenção, acesso a tangíveis e estimulação sensorial.

Função de Fuga ou esquiva

A função de fuga ou esquiva está relacionada a comportamentos indesejados cuja topografia se apresenta na forma de evitar situações, objetos ou tarefas incômodas ou que trazem consequências aversivas. Estudantes autistas podem apresentar comportamentos com função de fuga quando têm dificuldades em recusar atividades indesejadas de forma socialmente adequada, e com isso se engajam em comportamentos indesejados ou comportamentos-problema para escapar de tarefas não preferidas (Sella; Ribeiro, 2018).

Esse comportamento pode se apresentar de várias formas: correr, se esconder, cobrir o rosto com as mãos, ignorar a tarefa, ignorar instruções ou comandos, virar a cabeça etc. Por exemplo, uma criança autista não gosta de atividades em grupo na escola, e todas as vezes que a professora propõe esse tipo de atividade, a criança tenta correr para fora da sala. 4 Como consequência desse comportamento, a professora permite que a criança brinque sozinha no canto da sala enquanto os outros colegas fazem a atividade. As intervenções comportamentais devem criar estratégias para criar um ambiente que promova o bem estar da estudante em atividades em grupo ao mesmo tempo em que diminua a relação entre o comportamento e a consequência.

Função de Acesso à atenção

Um comportamento indesejado com função de acesso à atenção pode se apresentar em forma de choro, gritos, agressões físicas ou verbais e ocorre quando o estudante autista busca a atenção dos colegas, pais, cuidadores, terapeuta, professores ou qualquer outra pessoa que poderá fornecer a consequência de atenção. Esse tipo de comportamento pode representar dificuldades especialmente quando emitido por autistas não verbais, que apresentam déficit na comunicação ou não conseguem exprimir suas necessidades e desejos de forma inteligível.

Esse comportamento pode ser exemplificado quando uma criança deseja a atenção da mãe, ao mesmo tempo que a cuidadora está engajada em outros afazeres, e para isso se joga no chão, se debate e grita. Como consequência, a mãe interrompe seus afazeres e atende à demanda da criança, reforçando seu comportamento.

Nesse caso, as intervenções devem considerar o ensino de formas adequadas de obter a atenção, dizendo por exemplo “pode brincar comigo, por favor?” ou ensinar a criança a compreender formas negativas da consequência, como “podemos esperar até eu finalizar essa tarefa?” ou “neste momento não posso brincar com você”.

Função de Acesso a tangíveis

Os tangíveis correspondem a qualquer item material que atende ao interesse do estudante. Pode ser um alimento, uma bebida, um brinquedo ou um objeto preferido. Similar aos comportamentos de acesso à atenção, os comportamentos indesejados  relacionados aos tangíveis também podem se apresentar em forma de choro, gritos ou agressões e podem aparecer quando o tangível é retirado ou negado ao estudante, ou quando o estudante não possui repertório comunicacional para solicitar de forma adequada. Segundo Matson (2023), alguns comportamentos podem ter múltiplas funções e, frequentemente, uma das variáveis do comportamento pode ser a de acesso a tangíveis.

Por exemplo, em um comportamento de fuga, normalmente o estudante foge para uma atividade ou objeto preferido. As intervenções baseadas na função de acesso a tangíveis podem incluir formas de comunicação alternativa, ensinar a realizar pedidos de forma apropriada, ensinar a aceitar “não” como resposta a um pedido, entre outras estratégias.

Função de Estimulação Sensorial

Comportamentos indesejados com essa função são geralmente chamados de estereotipias ou stimming, e se apresentam na forma de vocalizações ou movimentos repetitivos que não apresentam objetivos claros e ocorrem da mesma forma durante um período. Um exemplo desse comportamento pode ser mordidas auto infligidas nas mãos ou outra parte de corpo, entre outras formas de autoagressão. De acordo com Matson (2023), por serem comportamentos com um reforço intrínseco, existe uma probabilidade maior de as intervenções encontrarem resistência para diminuir ou extinguir comportamentos de estimulação sensorial. Porém, se a fonte da estimulação for identificada e isolada, algumas estratégias baseadas na função podem obter sucesso, como uso de equipamentos de proteção por exemplo.

Comportamentos sexuais individuais também devem ser analisados a partir de sua função de estimulação sensorial. De acordo com Jung, Lunardi e Silva (2023), a sexualidade faz parte da vida de todas as pessoas e é inerente a todo ser humano, portanto, é necessário discutir formas de manejo dos comportamentos sexuais com função de estimulação sensorial, principalmente por significarem potencial de exposição de pessoas autistas à vulnerabilidade. Esse assunto é delicado, e muitas vezes representa um tabu quando 6 relacionado à pessoas com transtornos do desenvolvimento, porém deve ser conduzido de forma profissional e consciente, por se tratar de um tema que faz parte da vida humana e principalmente para garantir orientação clara e proteção às crianças, adolescentes e adultos no espectro autista.

Mas afinal, o que é comportamento indesejado?

Catania (1999) define comportamento como uma relação complexa entre o ambiente, um organismo e uma consequência da interação desse organismo com o ambiente. Essa relação é comumente chamada de contingência de três termos: antecedente – resposta – consequência, ou seja, o comportamento não é um ato isolado de um contexto e não pode ser analisado com base apenas em sua aparência.

É necessário observar as variáveis que “estão fora do organismo, em seu ambiente imediato e em sua história ambiental” (Skinner, 2003, p. 33). Dessa forma, comportamento indesejado ou comportamento-problema é todo comportamento que coloca o estudante e as pessoas de seu convívio em risco, que interferem do repertório de comportamentos adequados e que prejudicam de alguma forma o aprendizado da pessoa com TEA.

Comportamentos indesejados, conforme explicam Menezes e Santos (2021), podem ser práticas de autolesão, comportamentos agressivos com potencial para gerar ferimentos ou danos, ingestão de objetos ou substâncias não comestíveis e comportamentos incompatíveis com o convívio social e com a noção contextual de autocuidado, como correr em direção a uma rua movimentada, por exemplo.  

Embora a presença de comportamentos indesejados no repertório não seja parte dos critérios definidos para o diagnóstico de TEA, a literatura aponta que pessoas no espectro apresentam maior probabilidade de comportamentos inadequados que podem afetar sua qualidade de vida. Portanto, as intervenções baseadas em análise do comportamento para manejo de comportamentos indesejados devem sempre preceder de uma avaliação.

Avaliação Funcional: o que é e como fazer

Análise Funcional é um procedimento utilizado para identificar as condições que mantém a ocorrência de comportamentos indesejados. Na avaliação, as variáveis do comportamento são analisadas em diferentes situações e a partir do olhar dos diferentes indivíduos com quem o estudante autista convive, incluindo o do próprio estudante. Uma Análise Funcional pode utilizar diferentes métodos e escalas para identificar comportamentos indesejados.

“Uma vez que encontremos os determinantes do comportamento, podemos predizê-lo (prever a sua ocorrência) e controlá-lo (aumentar ou diminuir deliberadamente a sua probabilidade de ocorrência)” (Moreira; Medeiros, 2019, p. 149), ou seja, a análise funcional ajuda o profissional a intervir de maneira assertiva.

As avaliações de uma Análise Funcional podem ser diretas, a partir da observação em ambientes naturais, como a casa e a escola, para determinar as funções do comportamento indesejado, e a manipulação direta de variáveis antecedentes e as consequências desse comportamento, e indiretas, por meio de questionários e entrevistas com a família, cuidadores, professores e com o próprio estudante, quando possível. Essas avaliações serão a base para a coleta de dados. Após a coleta de dados, o profissional deve:

ü  identificar os comportamentos indesejados no repertório, que devem ter sua frequência diminuída ou extinguida;

ü  identificar comportamentos adequados no repertório, a serem reforçados para aumentar a frequência;

ü  identificar comportamentos ausentes no repertório que devem ser ensinados e reforçados;

ü  elaborar hipóteses de análise funcional, procurando responder quais são as funções dos comportamentos indesejados;

ü  validar as hipóteses a partir da modificação das variáveis antecedentes e as consequências identificadas e seu reflexo na modificação dos comportamentos indesejados;

ü  identificar comportamentos com múltiplas funções.

Por fim, com base na análise funcional, o profissional terá elementos para promover intervenções que tenham como objetivo melhorar a qualidade de vida do estudante ajudando-o a diminuir comportamentos indesejados.

2 de nov. de 2022

 

Modelagem e modelação

         A ABA e Práticas Baseadas em Evidências A Análise de Comportamento Aplicada, mais conhecida como ABA (sigla do inglês Applied Behavior Analysis), é uma ciência derivada da abordagem psicológica chamada Análise do Comportamento, que tem como objeto do estudo o comportamento humano e as interações comportamento-ambiente.

O objetivo da ABA, não é somente o estudo do comportamento, mas a aplicação prática da ciência com foco na análise e na modificação comportamental, buscando promover o desenvolvimento e aprendizagem de habilidades socialmente relevantes, reduzir os déficits comportamentais e tem sido aplicada de forma exitosa no tratamento de crianças, adolescentes e adultos com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

As abordagens da ABA passaram por diversas modificações desde os primeiros estudos da área e atualmente são referenciadas 28 práticas.

Essas práticas são baseadas em evidências que se mostraram significativas na intervenção educacional para pessoas com desenvolvimento atípico e dentre elas, estão as chamadas Modelagem e a Modelação. Modelagem e Modelação: definição e diferenças Modelagem e Modelação são duas práticas que frequentemente aparecem juntas no processo de intervenção educacional para pessoas com TEA, no entanto possuem diferenças conceituais e de aplicação.

Modelagem:

Consiste no método de ensino por aproximações sucessivas do comportamento alvo. Modelação: É a técnica de demonstração de um comportamento ou habilidade para aprendizado por observação e imitação. Os dois conceitos foram estudados e estruturados por pesquisadores diferentes. A Modelagem teve origem com os estudos de B. F. Skinner, que afirmava que as condutas poderiam ser modeladas e mantidas a partir dos reforços, ou consequências, daquele comportamento. Já a Modelação foi estruturada por Albert Bandura, que defendia que o aprendizado de novas habilidades poderia ser facilitado pela observação do comportamento de outras pessoas, pela imitação desses comportamentos e pela interação social.

Modelagem – Moldando o comportamento A modelagem como método de ensino, se baseia em reforçar as aproximações que o estudante faz daquele comportamento que foi determinado como alvo e para favorecer essas aproximações, o comportamento alvo pode ser dividido em partes. Em cada etapa do aprendizado, o estudante recebe reforços que aumentam a probabilidade de o comportamento de repetir e se manter.

Segundo Catania (1999, p. 131) “a medida que o responder se altera, os critérios para o reforço diferencial também mudam, em aproximações sucessivas da resposta a ser modelada”. 4 Antecedente Para Sella e Ribeiro (2018), o antecedente é o acontecimento ou estímulo que aparece antes de um comportamento ou resposta, pode ser um comando, um pedido ou qualquer elemento que direcione um comportamento. Por exemplo: a professora pede que os alunos abram o caderno.

O comando verbal da docente é o antecedente para o comportamento dos alunos de abrirem o caderno. A luz acesa do quarto, quando alguém se prepara para dormir, é um antecedente para o comportamento de apagar a luz, nesse caso não houve um comando verbal, mas um estímulo sensorial.

O processo de Modelagem sempre deve partir de uma avaliação inicial e possui as seguintes etapas:

ü  Identificação do repertório inicial.

ü  2. Identificação do comportamento alvo.

ü  3. Variação do repertório com reforçamento.

ü  4. Novas respostas emitidas.

ü  5. Comportamento alvo atingido.

A identificação do repertório inicial se refere à primeira observação que o profissional realiza do estudante. Nessa estapa é determinada quais habilidades ele já domina e quais não precisam ser ensinadas, não necessitam de correção ou que não fazem parte de seu repertório.

A partir dessa avaliação, o profissional deverá elaborar um plano de estudos e intervenções com a identificação dos comportamentos alvo. Além disso, o plano de intervenções deve ser discutido com a família do estudante e quando possível, com o próprio indivíduo, para que dessa maneira, os comportamentos devem ser ensinados são determinados.

A próxima etapa se refere à intervenção direta com o estudante, promovendo a variação do repertório, que será reforçada a medida que a resposta se aproximar do comportamento alvo, ou extinta quando a resposta não estiver de acordo com o esperado.

O reforçamento é uma consequência da resposta emitida pelo estudante como uma estratégia para aumentar a probabilidade de uma resposta ser emitida após um estímulo ou comando.

Esse reforço funciona como um tipo de recompensa, que pode ser verbal, com uso de palavras de incentivo, ou tangível, como uma guloseima, bebida ou tempo com um brinquedo favorito.

Com a variação do repertório de comportamento, novas respostas são emitidas, e quando reforçadas, levarão o estudante a atingir o comportamento alvo. Vejamos um exemplo.

No repertório de uma criança com TEA foi identificada a ausência do comportamento de escovar os dentes ao acordar ou após as refeições. Esse comportamento possui uma sequência de habilidades que devem ser dominadas e que podem ser ensinadas individualmente.

A primeira habilidade pode ser a forma de utilizar a escova dental, esta será então, a primeira intervenção.

1º passo: A intervenção pode iniciar com a apresentação do objeto, a escova dental, que deverá ser colocada sobre a mesa de atividades ou sobre a pia do banheiro. O profissional então dá um comando (antecedente) pedindo ao estudante que pegue a escova, podendo manusear suas mãos para que ele segure o objeto da forma correta. Essa primeira aproximação será reforçada.

2º Passo: Nesse passo, o objeto é colocado novamente sobre a mesa com o pedido para que o estudante o pegue. Se a forma como ele segurou o objeto está correta, sem a necessidade de o profissional manusear as mãos do estudante para ajustar a pegada, essa resposta deverá ser reforçada.

3º Passo: O profissional pede que o estudante leve a escova a boca. Será utilizado o reforço a cada aproximação do comportamento alvo.

 4º Passo: Nesse passo, novamente com a escova sobre a mesa, o profissional pede ao estudante que segura a escova e a leve a boca. Desta vez, que faça o movimento de escovação. Poderá ser necessário manusear a mão do estudante para que ele movimente a escova em contato com os dentes. O reforço será utilizado mais uma vez.

5º Passo: A escova será colocada sobre a mesa e todo o comportamento deverá ser repetido, até que o estudante segure a escova, leve a boca e faça o movimento de escovação sem a necessidade de reforçamento.

Esse será o comportamento alvo atingido. As próximas intervenções para ensinar o comportamento de escovar os dentes poderão conter o uso do creme dental, o uso da torneira e outras coisas.

O comportamento final foi moldado, a partir de aproximações sucessivas. Respostas: Dimensões e características Durante as intervenções, a depender do tipo de habilidade que se está ensinando, vários tipos de respostas poderão se manifestar.

Como prática baseada em evidência, o processo da modelagem deve ser registrado para certificar o processo de aprendizagem, e com isso algumas informações importantes sobre as respostas emitidas devem ser consideradas.

Catania (1999, p. 131) afirma que “duas respostas nunca são uma mesma resposta e o reforço de uma resposta produz um espectro de respostas, cada uma das quais difere da resposta reforçada ao longo de algumas dimensões”.

As Dimensões de Resposta são as seguintes: Topografia: a aparência da resposta, como ela se apresenta e pode ser observada. Frequência: quantidade de vezes que a resposta aparece após um antecedente.

Duração: quantidade de tempo que dura a resposta. Latência: intervalo entre o antecedente e a resposta. Intensidade: é a “força” da resposta, a possibilidade de ela acontecer sem um comando. Catania (1999) afirma que quando observadas estas dimensões, o profissional poderá determinar quais respostas estão mais próximas daquela desejada, podendo então selecionar estas para que sejam reforçadas.

Como exemplo, temos em relação a topografia, a resposta de segurar um lápis, que está mais próxima da resposta de segurar a escova dental do que a resposta de segurar uma bola.

Durante o processo de ensino do comportamento de escovar os dentes, se o estudante segura o lápis quando o profissional solicita que ele pegue a escova, essa resposta poderá ser reforçada para se aproximar do comportamento alvo, que é segurar a escova dental.

Registros A Modelagem é um método consistente e que pode ser aplicado para ensino de diversos comportamentos, destacando a importância de adotar um modelo de registro para a certificação do aprendizado, bem como para planejar intervenções a medida que as necessidades dos alunos se apresentam. No registro é comum que o planejamento sofra modificações, por isso, o modelo ou tipo de registro ficará a critério do profissional, no entanto, devem seguir padrões pertinentes a Análise de Comportamento Aplicada.

Modelação – Ensino por demonstração, observação e imitação A modelação é uma técnica ou procedimento de ensino que utiliza modelos de comportamento para serem observados e imitados. Esta técnica foi estudada por psicólogos behavioristas, porém foi sistematizada por Albert Bandura, que embora não estivesse ligado ao behaviorismo, forneceu grandes contribuições para o estudo dos comportamentos.

Almeida et al. (2013) afirmam que no pensamento de Bandura, o comportamento social das pessoas pode influenciar o aprendizado, e por isso elas seriam modelos de aprendizagem. No processo de modelação, o profissional apresenta um modelo de comportamento a ser observado e reproduzido, podendo ser apresentado pelo próprio profissional, pelo educador ou pela família.

Esse procedimento é chamado de Modelação Real, ou pode ser apresentado por meio de vídeos, conhecido como Vídeo Modelação.

Benefícios da Modelação e Vídeo Modelação Os principais benefícios da modelação estão relacionados a: Prática baseada em evidências. Contribui para a interação social.

Promove aumento de repertório. Aplicável em contextos diversificados. Não exige recursos específicos (exceto na vídeo modelação). Como Prática Baseada em Evidências, a modelação está em conformidade com as dimensões da ABA, publicadas pelos pesquisadores behavioristas da Universidade do Kansas, Donald Baer, Montrose Wolf e Todd Risley (1968) no Journal of Applied Behavior Analysis em sua primeira edição.

Essas dimensões ressaltam o caráter aplicado da ABA, a partir da melhora da qualidade de vida do estudante e da resolução de problemas de relevância social.

Ressaltam também a avaliação de efetividade de mudança dos comportamentos após a intervenção, da análise de evidências com dados mensuráveis, da replicação dos procedimentos realizados e dos conceitos e princípios da Análise do Comportamento.

A modelação favorece a interação social, embora não seja essencial no processo de ensino, uma vez que o modelo não precisa interagir efetivamente com o estudante. No processo de modelação real, é importante que o estudante se sinta a vontade para reproduzir o comportamento e a interação poderá ser fortalecida pelo processo de modelação.

A partir da modelação, o estudante poderá não apenas aprender determinado comportamento modelado para ele, mas aprender a própria técnica. Isso significa que no dia a dia, caso o estudante se depare com uma situação que não foi previamente modelada pelo profissional, ele poderá praticar a observação e a imitação a partir de modelos não introduzidos no ambiente terapêutico.

Outra característica da modelação está relacionada ao uso de reforçadores. Muitas vezes, os reforços são introduzidos de forma intencional no processo de aprendizagem, e são oferecidos imediatamente após uma resposta emitida pelo estudante.

Na modelação, os reforçadores podem ou não ser utilizados, e na maioria das vezes estão incluídos no próprio contexto da modelação.

Vejamos um exemplo.

Um paciente adulto com Transtorno do Espectro do Autismo possui muita dificuldade de entrar em uma livraria que nunca frequentou, embora demonstre interesse nessa atividade social. Todas as vezes que ele passa em frente a livraria, sente vontade de entrar, mas não o faz por não saber como se comportar naquele ambiente.

De acordo com as técnicas de modelação, o paciente poderá observar outros clientes, observar como manuseiam os livros e como escolhem o exemplar que desejam comprar, lendo a sinopse da contracapa ou o folheando.

Depois observa o caminho até o caixa e a forma como o cliente efetua o pagamento, e a partir deste processo, o paciente terá subsídios para executar o mesmo comportamento com mais segurança, compreendendo quais comportamentos são adequados para aquele contexto.

O reforçador do comportamento, nesse caso, será a conclusão da tarefa de comprar um livro, fazendo com que a probabilidade de que o comportamento se repeta em situações semelhantes seja aumentada. Vídeo Modelação – possiblidades e desafios A vídeo modelação é uma variação da modelação em que o modelo de comportamento é apresentado em telas, seguido da orientação para que o estudante reproduza. Para garantir o sucesso da intervenção, são necessários alguns cuidados: O estudante deve ter familiaridade com telas.

O contexto de uso deve ser cuidadoso, não pode ser realizado em qualquer lugar. Os estímulos sonoros do vídeo e do entorno devem ser controlados. Os vídeos devem ser de boa qualidade, com resolução e iluminação adequadas.

Os modelos utilizados nos vídeos devem ser relevantes e de fácil identificação pelo estudante. A duração dos vídeos deve ser adequada ao comportamento a ser demonstrado, evitando vídeos muito longos e tediosos.

O planejamento deve envolver o roteiro do vídeo, o ambiente de exibição e o momento da resposta/reprodução do comportamento, que pode ser imediatamente após a exibição ou em momento posterior. Um dos maiores benefícios do vídeo modelação é a possibilidade de reprodução ilimitada até que o comportamento seja aprendido.

O vídeo poderá ser assistido quantas vezes forem necessárias e a demonstração do comportamento não estará limitada a modelação real.

A vídeo modelação também permite um maior controle do processo de aprendizado, já que o profissional selecionará comportamentos e situações específicas para exibir em vídeo. Além disso, o mesmo vídeo poderá ser exibido em atendimentos individuais ou para grupos maiores, possibilitando a flexibilidade no tipo de intervenção.

Conclusão

A modelagem e a modelação na psicologia representam ferramentas poderosas para compreender e prever o comportamento humano. São duas práticas baseadas em evidências com eficácia comprovada no ensino de habilidades socialmente relevantes.

A modelagem, como método de ensino por aproximações sucessivas, molda comportamentos complexos por meio da fragmentação desses comportamentos em pequenos passos. A modelação, por sua vez, amplia o repertório comportamental por meio da observação de modelos.

As duas técnicas se destacam pelas possibilidades de aplicação e flexibilidade, podendo ser adaptadas a diferentes contextos e utilizadas em conjunto.

Portanto, a modelagem e a modelação desempenham um papel fundamental na psicologia, oferecendo percepções valiosas sobre a mente humana e fornecendo uma base sólida para a pesquisa e a prática clínica.

A aplicação consistente das práticas de modelagem e modelação, associadas a avaliação da progressão do aprendizado, podem representar um passo fundamental no desenvolvimento social, cognitivo e motor de pessoas com TEA, promovendo sua autonomia e inclusão social.

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!
Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.Amigo é a base quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!
Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

Oração do Professor


"Obrigado, Senhor, por atribuir-me a missão de ensinar e por fazer de mim uma professora no mundo da educação.

Eu te agradeço pelo compromisso de formar tantas pessoas e te ofereço todos os meus dons.

São grandes os desafios de cada dia, mas é gratificante ver os objetivos alcançados, na raça de servir, colaborar e ampliar os horizontes do conhecimento.

Quero celebrar as minhas conquistas exaltando também o sofrimento que me fez crescer e evoluir.

Quero renovar cada dia a coragem de sempre recomeçar.

Senhor!

Inspira-me na minha vocação de mestre e comunicador para melhor poder servir.

Abençoa todos os que se empenham neste trabalho iluminando-lhes o caminho.

Obrigado, meu Deus, pelo dom da vida e por fazer de mim uma educadora consciente, comprometida hoje e sempre. Amém!"