O
Autismo passa por constantes atualizações a respeito da compreensão do tema, já
tendo sido considerado como semelhante a uma série de outros Transtornos, entre
eles TGD, Esquizofrenia Infantil, Deficiência Intelectual, porém, atualmente,
há sintomas específicos que explicam e diferenciam o TEA dos demais transtornos
existentes.
Sempre
que consideramos Transtornos Neurológicos, precisamos considerar ferramentas
padronizadas e com embasamento científico para realizar afirmações e avalições
relacionadas. Ainda assim, atualmente não possuímos na ciência, com fácil
acesso, exames que identifiquem o Autismo, apesar de haver protocolos a serem
seguidos pelos médicos para identificar comorbidades e/ou justificar sintomas
com outros diagnósticos que não o TEA, tais como o Potencial evocado auditivo
(BERA) ou Audiometria condicionada, Eletroencefalograma e a Ressonância
Magnética.
Pensando
nos Sinais do TEA, consideramos o DSM-V TR, que teve sua última atualização em
2013 como sendo o documento mais atual validado para o Brasil.
Segundo
ele, os sintomas a serem analisados integram dois grupos, a saber:
A - Déficits sociais persistentes: incluindo
Reciprocidade socioemocional, Comunicação, Desenvolvimento e Manutenção de
relacionamentos;
B - Padrões restritos e repetitivos de
comportamento: envolvendo Movimentos motores estereotipados ou repetitivos,
Rituais, Interesses altamente restritos e fixos, Hiper ou Hiporreatividade a
estímulos sensoriais.
Além
disso, é importante considerarmos que a palavra Espectro se refere à vasta
diversidade de maneiras como os sintomas podem se manifestar, pois apesar de se
tratar da mesma Competência (social, comunicação, padrões), envolvem prejuízos
diferentes.
Por
exemplo, pensando em habilidades sociais, encontramos pessoas com Autismo que
apresentam dificuldades no contato visual, outras em iniciar ou manter uma
conversação.
Além
disso, os padrões podem estar relacionados à alimentação, tecidos, brinquedos,
assuntos, entre outras coisas.
O
DSM-V TR especifica não apenas os sintomas, mas também os critérios para
realizar um diagnóstico fidedigno, sendo eles sintomas que causam prejuízo
clinicamente significativo no funcionamento social, profissional ou em outras
áreas importantes da vida do indivíduo no presente, que devem estar presentes
precocemente no período do desenvolvimento, embora não possam se tornar
plenamente manifestos até que as demandas sociais excedam as capacidades
limitadas ou possam ser mascarados por estratégias aprendidas mais tarde na
vida.
Ainda
no mesmo documento, encontramos a maneira como são definidos os Níveis de Apoio
do TEA – vale destacar que não é adequado a utilização do termo “graus” – e sim
avaliar quanta ajuda/apoio a pessoa precisa em diferentes ações da vida, como
se comunicar, se vestir, comer, comprar, entre outros.
Vale
destacar que há outros sintomas comuns em pessoas com autismo, mas que
atualmente não são considerados critérios diagnósticos. Isso significa que a
ausência desses sintomas não exclui o diagnóstico de Transtorno do Espectro
Autista, como por exemplo andar na ponta dos pés, transtornos do processamento
sensorial, ausência de expressões faciais, apatia e comportamentos agressivos,
entre outros.
Foi liberada recentemente a última versão do
CID (Classificação Internacional de Doenças) que ainda não se tornou
obrigatória no Brasil, visto que ainda está em processo de tradução. Seu
objetivo é atualizar novamente as compreensões acerca do tema e se tratando do
TEA, haverá subdivisões que detalham as características dos sintomas no momento
do diagnóstico:
TEA
com Deficiência Intelectual,
TEA
sem Deficiência Intelectual,
TEA
com prejuízos na linguagem funcional,
TEA com ausência de linguagem funcional, porém o CID não substitui a função do DSM-V TR, assim como os Níveis de Suporte nele contidos, sendo ainda mais utilizado para consultas relacionadas à políticas públicas
Por fim, enquanto profissionais, é importante que estejamos sempre atualizamos e embasados na ciência para melhor compreensão, contribuição e evolução sobre o Transtorno do Espectro Autista.
