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2 de nov. de 2022

 

Modelagem e modelação

         A ABA e Práticas Baseadas em Evidências A Análise de Comportamento Aplicada, mais conhecida como ABA (sigla do inglês Applied Behavior Analysis), é uma ciência derivada da abordagem psicológica chamada Análise do Comportamento, que tem como objeto do estudo o comportamento humano e as interações comportamento-ambiente.

O objetivo da ABA, não é somente o estudo do comportamento, mas a aplicação prática da ciência com foco na análise e na modificação comportamental, buscando promover o desenvolvimento e aprendizagem de habilidades socialmente relevantes, reduzir os déficits comportamentais e tem sido aplicada de forma exitosa no tratamento de crianças, adolescentes e adultos com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

As abordagens da ABA passaram por diversas modificações desde os primeiros estudos da área e atualmente são referenciadas 28 práticas.

Essas práticas são baseadas em evidências que se mostraram significativas na intervenção educacional para pessoas com desenvolvimento atípico e dentre elas, estão as chamadas Modelagem e a Modelação. Modelagem e Modelação: definição e diferenças Modelagem e Modelação são duas práticas que frequentemente aparecem juntas no processo de intervenção educacional para pessoas com TEA, no entanto possuem diferenças conceituais e de aplicação.

Modelagem:

Consiste no método de ensino por aproximações sucessivas do comportamento alvo. Modelação: É a técnica de demonstração de um comportamento ou habilidade para aprendizado por observação e imitação. Os dois conceitos foram estudados e estruturados por pesquisadores diferentes. A Modelagem teve origem com os estudos de B. F. Skinner, que afirmava que as condutas poderiam ser modeladas e mantidas a partir dos reforços, ou consequências, daquele comportamento. Já a Modelação foi estruturada por Albert Bandura, que defendia que o aprendizado de novas habilidades poderia ser facilitado pela observação do comportamento de outras pessoas, pela imitação desses comportamentos e pela interação social.

Modelagem – Moldando o comportamento A modelagem como método de ensino, se baseia em reforçar as aproximações que o estudante faz daquele comportamento que foi determinado como alvo e para favorecer essas aproximações, o comportamento alvo pode ser dividido em partes. Em cada etapa do aprendizado, o estudante recebe reforços que aumentam a probabilidade de o comportamento de repetir e se manter.

Segundo Catania (1999, p. 131) “a medida que o responder se altera, os critérios para o reforço diferencial também mudam, em aproximações sucessivas da resposta a ser modelada”. 4 Antecedente Para Sella e Ribeiro (2018), o antecedente é o acontecimento ou estímulo que aparece antes de um comportamento ou resposta, pode ser um comando, um pedido ou qualquer elemento que direcione um comportamento. Por exemplo: a professora pede que os alunos abram o caderno.

O comando verbal da docente é o antecedente para o comportamento dos alunos de abrirem o caderno. A luz acesa do quarto, quando alguém se prepara para dormir, é um antecedente para o comportamento de apagar a luz, nesse caso não houve um comando verbal, mas um estímulo sensorial.

O processo de Modelagem sempre deve partir de uma avaliação inicial e possui as seguintes etapas:

ü  Identificação do repertório inicial.

ü  2. Identificação do comportamento alvo.

ü  3. Variação do repertório com reforçamento.

ü  4. Novas respostas emitidas.

ü  5. Comportamento alvo atingido.

A identificação do repertório inicial se refere à primeira observação que o profissional realiza do estudante. Nessa estapa é determinada quais habilidades ele já domina e quais não precisam ser ensinadas, não necessitam de correção ou que não fazem parte de seu repertório.

A partir dessa avaliação, o profissional deverá elaborar um plano de estudos e intervenções com a identificação dos comportamentos alvo. Além disso, o plano de intervenções deve ser discutido com a família do estudante e quando possível, com o próprio indivíduo, para que dessa maneira, os comportamentos devem ser ensinados são determinados.

A próxima etapa se refere à intervenção direta com o estudante, promovendo a variação do repertório, que será reforçada a medida que a resposta se aproximar do comportamento alvo, ou extinta quando a resposta não estiver de acordo com o esperado.

O reforçamento é uma consequência da resposta emitida pelo estudante como uma estratégia para aumentar a probabilidade de uma resposta ser emitida após um estímulo ou comando.

Esse reforço funciona como um tipo de recompensa, que pode ser verbal, com uso de palavras de incentivo, ou tangível, como uma guloseima, bebida ou tempo com um brinquedo favorito.

Com a variação do repertório de comportamento, novas respostas são emitidas, e quando reforçadas, levarão o estudante a atingir o comportamento alvo. Vejamos um exemplo.

No repertório de uma criança com TEA foi identificada a ausência do comportamento de escovar os dentes ao acordar ou após as refeições. Esse comportamento possui uma sequência de habilidades que devem ser dominadas e que podem ser ensinadas individualmente.

A primeira habilidade pode ser a forma de utilizar a escova dental, esta será então, a primeira intervenção.

1º passo: A intervenção pode iniciar com a apresentação do objeto, a escova dental, que deverá ser colocada sobre a mesa de atividades ou sobre a pia do banheiro. O profissional então dá um comando (antecedente) pedindo ao estudante que pegue a escova, podendo manusear suas mãos para que ele segure o objeto da forma correta. Essa primeira aproximação será reforçada.

2º Passo: Nesse passo, o objeto é colocado novamente sobre a mesa com o pedido para que o estudante o pegue. Se a forma como ele segurou o objeto está correta, sem a necessidade de o profissional manusear as mãos do estudante para ajustar a pegada, essa resposta deverá ser reforçada.

3º Passo: O profissional pede que o estudante leve a escova a boca. Será utilizado o reforço a cada aproximação do comportamento alvo.

 4º Passo: Nesse passo, novamente com a escova sobre a mesa, o profissional pede ao estudante que segura a escova e a leve a boca. Desta vez, que faça o movimento de escovação. Poderá ser necessário manusear a mão do estudante para que ele movimente a escova em contato com os dentes. O reforço será utilizado mais uma vez.

5º Passo: A escova será colocada sobre a mesa e todo o comportamento deverá ser repetido, até que o estudante segure a escova, leve a boca e faça o movimento de escovação sem a necessidade de reforçamento.

Esse será o comportamento alvo atingido. As próximas intervenções para ensinar o comportamento de escovar os dentes poderão conter o uso do creme dental, o uso da torneira e outras coisas.

O comportamento final foi moldado, a partir de aproximações sucessivas. Respostas: Dimensões e características Durante as intervenções, a depender do tipo de habilidade que se está ensinando, vários tipos de respostas poderão se manifestar.

Como prática baseada em evidência, o processo da modelagem deve ser registrado para certificar o processo de aprendizagem, e com isso algumas informações importantes sobre as respostas emitidas devem ser consideradas.

Catania (1999, p. 131) afirma que “duas respostas nunca são uma mesma resposta e o reforço de uma resposta produz um espectro de respostas, cada uma das quais difere da resposta reforçada ao longo de algumas dimensões”.

As Dimensões de Resposta são as seguintes: Topografia: a aparência da resposta, como ela se apresenta e pode ser observada. Frequência: quantidade de vezes que a resposta aparece após um antecedente.

Duração: quantidade de tempo que dura a resposta. Latência: intervalo entre o antecedente e a resposta. Intensidade: é a “força” da resposta, a possibilidade de ela acontecer sem um comando. Catania (1999) afirma que quando observadas estas dimensões, o profissional poderá determinar quais respostas estão mais próximas daquela desejada, podendo então selecionar estas para que sejam reforçadas.

Como exemplo, temos em relação a topografia, a resposta de segurar um lápis, que está mais próxima da resposta de segurar a escova dental do que a resposta de segurar uma bola.

Durante o processo de ensino do comportamento de escovar os dentes, se o estudante segura o lápis quando o profissional solicita que ele pegue a escova, essa resposta poderá ser reforçada para se aproximar do comportamento alvo, que é segurar a escova dental.

Registros A Modelagem é um método consistente e que pode ser aplicado para ensino de diversos comportamentos, destacando a importância de adotar um modelo de registro para a certificação do aprendizado, bem como para planejar intervenções a medida que as necessidades dos alunos se apresentam. No registro é comum que o planejamento sofra modificações, por isso, o modelo ou tipo de registro ficará a critério do profissional, no entanto, devem seguir padrões pertinentes a Análise de Comportamento Aplicada.

Modelação – Ensino por demonstração, observação e imitação A modelação é uma técnica ou procedimento de ensino que utiliza modelos de comportamento para serem observados e imitados. Esta técnica foi estudada por psicólogos behavioristas, porém foi sistematizada por Albert Bandura, que embora não estivesse ligado ao behaviorismo, forneceu grandes contribuições para o estudo dos comportamentos.

Almeida et al. (2013) afirmam que no pensamento de Bandura, o comportamento social das pessoas pode influenciar o aprendizado, e por isso elas seriam modelos de aprendizagem. No processo de modelação, o profissional apresenta um modelo de comportamento a ser observado e reproduzido, podendo ser apresentado pelo próprio profissional, pelo educador ou pela família.

Esse procedimento é chamado de Modelação Real, ou pode ser apresentado por meio de vídeos, conhecido como Vídeo Modelação.

Benefícios da Modelação e Vídeo Modelação Os principais benefícios da modelação estão relacionados a: Prática baseada em evidências. Contribui para a interação social.

Promove aumento de repertório. Aplicável em contextos diversificados. Não exige recursos específicos (exceto na vídeo modelação). Como Prática Baseada em Evidências, a modelação está em conformidade com as dimensões da ABA, publicadas pelos pesquisadores behavioristas da Universidade do Kansas, Donald Baer, Montrose Wolf e Todd Risley (1968) no Journal of Applied Behavior Analysis em sua primeira edição.

Essas dimensões ressaltam o caráter aplicado da ABA, a partir da melhora da qualidade de vida do estudante e da resolução de problemas de relevância social.

Ressaltam também a avaliação de efetividade de mudança dos comportamentos após a intervenção, da análise de evidências com dados mensuráveis, da replicação dos procedimentos realizados e dos conceitos e princípios da Análise do Comportamento.

A modelação favorece a interação social, embora não seja essencial no processo de ensino, uma vez que o modelo não precisa interagir efetivamente com o estudante. No processo de modelação real, é importante que o estudante se sinta a vontade para reproduzir o comportamento e a interação poderá ser fortalecida pelo processo de modelação.

A partir da modelação, o estudante poderá não apenas aprender determinado comportamento modelado para ele, mas aprender a própria técnica. Isso significa que no dia a dia, caso o estudante se depare com uma situação que não foi previamente modelada pelo profissional, ele poderá praticar a observação e a imitação a partir de modelos não introduzidos no ambiente terapêutico.

Outra característica da modelação está relacionada ao uso de reforçadores. Muitas vezes, os reforços são introduzidos de forma intencional no processo de aprendizagem, e são oferecidos imediatamente após uma resposta emitida pelo estudante.

Na modelação, os reforçadores podem ou não ser utilizados, e na maioria das vezes estão incluídos no próprio contexto da modelação.

Vejamos um exemplo.

Um paciente adulto com Transtorno do Espectro do Autismo possui muita dificuldade de entrar em uma livraria que nunca frequentou, embora demonstre interesse nessa atividade social. Todas as vezes que ele passa em frente a livraria, sente vontade de entrar, mas não o faz por não saber como se comportar naquele ambiente.

De acordo com as técnicas de modelação, o paciente poderá observar outros clientes, observar como manuseiam os livros e como escolhem o exemplar que desejam comprar, lendo a sinopse da contracapa ou o folheando.

Depois observa o caminho até o caixa e a forma como o cliente efetua o pagamento, e a partir deste processo, o paciente terá subsídios para executar o mesmo comportamento com mais segurança, compreendendo quais comportamentos são adequados para aquele contexto.

O reforçador do comportamento, nesse caso, será a conclusão da tarefa de comprar um livro, fazendo com que a probabilidade de que o comportamento se repeta em situações semelhantes seja aumentada. Vídeo Modelação – possiblidades e desafios A vídeo modelação é uma variação da modelação em que o modelo de comportamento é apresentado em telas, seguido da orientação para que o estudante reproduza. Para garantir o sucesso da intervenção, são necessários alguns cuidados: O estudante deve ter familiaridade com telas.

O contexto de uso deve ser cuidadoso, não pode ser realizado em qualquer lugar. Os estímulos sonoros do vídeo e do entorno devem ser controlados. Os vídeos devem ser de boa qualidade, com resolução e iluminação adequadas.

Os modelos utilizados nos vídeos devem ser relevantes e de fácil identificação pelo estudante. A duração dos vídeos deve ser adequada ao comportamento a ser demonstrado, evitando vídeos muito longos e tediosos.

O planejamento deve envolver o roteiro do vídeo, o ambiente de exibição e o momento da resposta/reprodução do comportamento, que pode ser imediatamente após a exibição ou em momento posterior. Um dos maiores benefícios do vídeo modelação é a possibilidade de reprodução ilimitada até que o comportamento seja aprendido.

O vídeo poderá ser assistido quantas vezes forem necessárias e a demonstração do comportamento não estará limitada a modelação real.

A vídeo modelação também permite um maior controle do processo de aprendizado, já que o profissional selecionará comportamentos e situações específicas para exibir em vídeo. Além disso, o mesmo vídeo poderá ser exibido em atendimentos individuais ou para grupos maiores, possibilitando a flexibilidade no tipo de intervenção.

Conclusão

A modelagem e a modelação na psicologia representam ferramentas poderosas para compreender e prever o comportamento humano. São duas práticas baseadas em evidências com eficácia comprovada no ensino de habilidades socialmente relevantes.

A modelagem, como método de ensino por aproximações sucessivas, molda comportamentos complexos por meio da fragmentação desses comportamentos em pequenos passos. A modelação, por sua vez, amplia o repertório comportamental por meio da observação de modelos.

As duas técnicas se destacam pelas possibilidades de aplicação e flexibilidade, podendo ser adaptadas a diferentes contextos e utilizadas em conjunto.

Portanto, a modelagem e a modelação desempenham um papel fundamental na psicologia, oferecendo percepções valiosas sobre a mente humana e fornecendo uma base sólida para a pesquisa e a prática clínica.

A aplicação consistente das práticas de modelagem e modelação, associadas a avaliação da progressão do aprendizado, podem representar um passo fundamental no desenvolvimento social, cognitivo e motor de pessoas com TEA, promovendo sua autonomia e inclusão social.

6 de out. de 2022

 

A mensuração do comportamento

 A psicologia é uma ciência que trabalha com diferentes perspectivas, sendo uma delas a psicometria que visa construir e aplicar instrumentos para mensuração de constructos e variáveis de ordem psicológica, aliada à métodos de análise estatística, principalmente a partir do refinamento matemático da análise fatorial, da modelagem de equações estruturais e da Teoria de Resposta ao Item, além de outras técnicas multivariadas.

Existem diferentes áreas e setores da sociedade que utilizam dados e instrumentos psicométricos para auxiliar e entender o processo do ser humano.

Consequentemente, mensuram o mesmo por meio desses dados psicométricos.

Por exemplo, as áreas de Marketing e também as áreas administrativas de compra e venda. Ou seja, não é um instrumento usado apenas na psicologia, mas sim no sentido de amplitude, uma vez que, utilizamos a psicometria em diferentes áreas e segmentos da sociedade. No entanto, hoje nosso foco é voltado para o sujeito com autismo.

 Quando um sujeito é diagnosticado com autismo, ele apresenta uma tríade de características. Além de sabermos que indivíduos com o diagnóstico autista são diferentes entre si, ou seja, a tríade apresentada será a mesma, porém dois sujeitos manifestam níveis de acometimento distintos.

Tem-se a tríade formada pelo comportamento, comunicação e interação social, e o repertório apresentado é verificado por meio dessa tríade. A análise do comportamento proporcionará a base para entender esse comportamento.

Descartemos, por hora, a interação social e focaremos apenas no comportamento do sujeito que apresenta autismo. Por meio de métodos experimentais e sistemáticos, buscase entender através da mensuração e observação como comportamentos inadequados e restritivos estão sendo apresentados, de qual forma e por qual motivo.

A mensuração de comportamento se caracteriza pela descrição das circunstâncias em que ele ocorre, lembrando que suas manifestações são amplamente variáveis no tempo e no espaço, e isso significa estar medindo algo em constante mutação.

Também é estabelecido parâmetros, a exemplo da descrição precisa do comportamento estudado para medir o quanto falta para a extinção do mesmo ou o quanto é preciso intervir para diminuir esse comportamento inadequado.

Consequentemente, avaliamos, contabilizamos e sensibilizamos esse sujeito, a fim de que esses comportamentos sejam eliminados. Na mensuração dos comportamentos podemos realizar de forma direta ou indireta.

De forma direta, o fenômeno que está sendo medido é exatamente o fenômeno que é foco do experimento.

Enquanto na forma indireta, o que está sendo medido é diferente daquilo que será o foco das conclusões experimentais.

Portanto, na mensuração dos comportamentos de forma direta temos seis principais características atuantes: a topografia, a quantidade, a intensidade, o controle de estímulo, a latência e a qualidade.

E, na forma indireta, temos um rol de variáveis que nos levam a compreender o comportamento, ou seja, o comportamento não é foco, mas sim todas as variáveis ligadas a ele.

 Por conseguinte, ela é realizada através de entrevistas com pacientes e pessoas que lhes são significativas, questionários; role playing, obtenção de informações de outros profissionais e automonitoramento do cliente.

Em vista disso, essa mensuração do comportamento trabalha com uma metodologia delimitada, instrumentos coerentes, cautela, observação, imparcialidade e registros fidedignos.

É preciso entender quais são esses comportamentos, repertórios, as queixas apresentadas, e por consequência utilizar uma metodologia que seja voltada especificamente para este sujeito.

Então pensar em instrumentos e estratégias que sejam efetivos, de modo a trabalhar com esses comportamentos inadequados a fim de medi-los de forma precisa.

 

A ANÁLISE FUNCIONAL E O TEA

O comportamento compõe o rol de características observadas do TEA. Ele é definido por qualquer coisa que uma pessoa diz ou faz. Como por exemplo, caminhar, falar em voz alta, atirar uma bola, gritar com alguém — todos esses são comportamentos públicos ou manifestos (visíveis) que poderiam ser observados e registrados por qualquer indivíduo, além daquele que está executando o comportamento (MARTIN; PEAR, 2009).

Em um sujeito diagnosticado com autismo essas características comportamentais também estão presentes. A análise funcional tem como princípio a relação entre variáveis dependentes e independentes.

Desse modo, essa abordagem enfatiza a importância da relação de contingência entre uma variável e outra, estabelecendo a dependência entre os eventos que antecedem o comportamento.

Ou seja, o próprio comportamento e as consequências do mesmo.

Em outras palavras, na análise funcional, buscamos compreender e identificar as variáveis existentes que estão controlando o comportamento, baseando-se no estudo da relação entre variáveis dependentes e independentes, além de enfatizar a importância da relação de contingência que deve existir entre uma variável e outra (COSTA; MARINHO, 2002; MEYER, 1997; STURMEY, 1996).

Consequentemente, a avaliação comportamental envolve a coleta e a análise: identificar e descrever comportamentos-alvo; identificar possíveis causas do comportamento (o que move e motiva o comportamento e quais são os disparadores que antecedem o mesmo); orientar a seleção de um tratamento comportamental adequado e avaliar o resultado do tratamento interventivo.

E, esta avaliação é feita para entendermos se houve melhora ou não no quadro, caso a tentativa tenha falhado é necessário mudar o tratamento e avaliar novamente. Essa análise funcional é realizada a partir da observação de comportamentos inadequados e restritivos feita em tanto em sujeitos de desenvolvimento típico quanto atípicos.

A partir disso, é feita a análise funcional.

Sendo assim, a análise funcional consiste em identificar os antecedentes e as consequências de um comportamento.

Entende-se a queixa de um determinado comportamento, esse é o comportamento central, então temos o antecedente (aquilo que antecede o comportamento) e a consequência (qual ação realizada que tem como consequência deste comportamento). Em outras palavras, o antecedente é o evento de configuração; o comportamento é a resposta dada ao antecedente e consequência é a ação ou resposta ao comportamento apresentado.

Contextualizando, por exemplo, temos o caso de uma criança que pede para brincar no parque.

A professora diz NÃO (antecedente), a criança joga as coisas no chão (comportamento), então a professora leva-o ao parque (resposta). Assim, o comportamento da criança gera uma resposta na professora, na qual, a resposta negativa transforma-se no objetivo da criança.

Entendemos na análise funcional o que vem antes e depois desse comportamento.

Portanto, analisamos o comportamento para: verificar o repertório pré-existente; entender os diferentes comportamentos apresentados, verificar a possibilidade de modificá-los; traçamos um plano para extingui-lo, se necessário, e inserimos novos comportamentos e habilidades que devem ser consideradas adequadas para este sujeito. Lembre-se que toda análise realizada deve ser feita por meio de registro, mesmo que seja observacional.

Entende-se o repertório desse sujeito, vale lembrar que também é preciso registrar.

A modificação do comportamento inclui todas as aplicações explícitas dos princípios do comportamento para melhorar comportamentos públicos e privados dos indivíduos (seja no setor familiar, social, escolar e em diferentes contextos) - estando ou não no ambiente de clínica e tendo ou não demonstrado explicitamente o controle de variáveis.

Dessa forma, a análise comportamental auxilia no processo de desenvolvimento do sujeito com autismo.

27 de ago. de 2022

 

Protocolos de avaliação

Para contextualizar, a identificação precoce do transtorno do espectro autista (TEA) está estreitamente relacionada a intervenções mais eficazes (Green et al., 2015; Pierce et al., 2011; Valicenti-McDermott, Hottinger, Seijo, & Shulman, 2012).

Para tanto, necessita-se da avaliação de repertório, nas mais diferentes áreas do desenvolvimento humano, sendo no comportamento, na comunicação, no motor, no sistema cognitivo e entre outros.

Em relação a avaliação comportamental, entende-se que ela envolve a coleta e a análise de informações e dados, a fim de identificar e descrever o comportamento-alvo, além de identificar possíveis causas para o comportamento, selecionar estratégias de tratamento adequadas para modificar o comportamento e avaliar os resultados desse tratamento.

O objetivo da avaliação comportamental consiste em identificar déficits ou excessos, identificar causas de problema de comportamentos atuais, fornecer informações que possam ajudar no planejamento de intervenções e avaliar os efeitos das intervenções, dessa forma, concluiremos se a intervenção em relação a instauração de comportamento foi efetiva ou não.

E, caso não tenha dado certo é necessário refazer esse plano interventivo. Marques e Bosa (2015) dissertam que o chamado “Protocolo de Avaliação para Crianças com Suspeita de Transtornos do Espectro do Autismo” (PRO-TEA) foi idealizado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Transtornos do Desenvolvimento (NIEPED/UFRGS), no ano de 1998 e, posteriormente, aprimorado em 2007. Segundo os autores, esse protocolo é resultante da sistematização da observação clínica em avaliações e reavaliações de crianças com suspeita de TEA, quando não se tem instrumentos internacionais validados para essa análise.

De acordo com Marques e Bosa (2015), o PRO-TEA é utilizado por diferentes especialistas, como psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, há muitos anos, em várias regiões do Brasil, apontando para a urgência no exame de suas propriedades psicométricas, para operacionalizar o diagnóstico do autimos com base no DSM-V.

"O instrumento é de rápida aplicação por meio de observação direta da criança em interação com um adulto (pais e/ou profissional) e requer um conjunto de brinquedos de baixo custo e fácil reposição.

Os itens do protocolo contemplam a tríade de comprometimentos, levando em consideração a frequência, intensidade e peculiaridade dos sintomas, assim como registros qualitativos, a partir de resultados de pesquisas na área.

Contudo, havia uma necessidade de refinamento deste instrumento, tanto em termos de readequação de itens que se mostravam ambíguos quanto de busca de evidências de validade, examinando-se em que medida seus itens identificavam peculiaridades dos comportamentos do espectro, que distinguiriam estas crianças de outros grupos" (e.g.: atraso de desenvolvimento) (MARQUES; BOSA, 2015, p. 44).

 Existem diferentes etapas contidas na avaliação comportamental.

A primeira etapa é a avaliação de triagem, entenderemos qual é o problema que leva o sujeito a procurar ajuda. Ele precisa descrever o que geralmente faz ou diz quando enfrenta algum problema, há quanto tempo vem ocorrendo o problema (entender a temporalidade ou frequência), se ele consegue dizer o que desencadeia o problema (intensidade) e o que 4 costuma acontecer imediatamente após o problema (disparador).

 A segunda etapa consiste na própria avaliação comportamental, na qual temos diferentes instrumentos especializados utilizados, além da aplicação de protocolos. O Verbal Behavior Milestones Assessment and Placement Program – VB - MAPP, é o instrumento avaliativo para o comportamento do sujeito que possui alguns elementos de observação.

Por meio dele entendemos qual é o repertório comportamental e o que ele sabe e sua avaliação é baseada em marcos, isso significa que, ela analisa como o paciente está, levando em consideração o desenvolvimento típico do paciente.

O VB-MAPP funciona em três níveis. São eles:

Nível 1: 0 a 18 meses

Nível 2: 18 a 30 meses

Nível 3: 30 a 48 meses

Dentro de cada divisão, existem diferentes habilidades, tais como o Mando, o Tato, a imitação motora,as habilidades de grupo e pré-acadêmicas. Além disso, são avaliadas 24 possíveis barreiras para o aprendizado, como comportamento hiperativo e baixo contato visual, por exemplo.

Por fim, a terceira etapa equivale a análise da avaliação, na qual, é partilhado um feedback para o paciente, é feita aplicação de novos testes (se necessário), e uma proposta interventiva é feita para esses comportamentos apresentados ou essas habilidades faltantes.

 Comportamento Verbal: Autoclíticos

Introdução O Comportamento Verbal, estudado central de Skinner (1957), se trata de um conjunto de comportamentos que descrevem e especificam diferentes características do processo de comunicação humana, traçando a complexidade das diferentes habilidades, dentre elas, o último e mais complexo grupo, que é chamado de Autoclíticos.

Eles são unidades especiais de comportamento verbal que modificam a função dos operantes verbais, atuando como "peças de palavras" que se unem às respostas verbais para alterar seu significado ou função, sendo divididos em descritivo, qualificador, quantificador, relacional e manipulativo.

 Barros (2003, p. 79) destaca que "o comportamento auticlítico são respostas verbais, vocais ou motoras, controladas pelo próprio comportamento verbal (antecedente, simultâneo ou concorrente) do emitente e as quais articulam, organizam ou modificam as respostas verbais que as controlam.

A ocorrência de comportamentos autoclíticos, pois, depende da ocorrência de outros comportamentos verbais do próprio emitente sobre os quais os autoclíticos atuarão". A maior complexidade na compreensão do Comportamento Verbal é entender que tais comportamentos ocorrem majoritariamente em conjunto e não de maneira isolada, o que dá margem para equívocos com relação às nomenclaturas utilizadas para definir cada um dos aspectos que envolvem a linguagem.

Tipos de autoclíticos Os autoclíticos descritivos são aqueles que descrevem eventos, itens e situações, utilizando diferentes características e formas de construção de sentenças, tais como:

"Eu vejo uma casa",

"Eu acredito que vá chover"

"Isto é uma coisa que eu não faria", entre outras sentenças.

Já os operadores autoclíticos quantificadores são aqueles que indicam a quantidade em um comportamento verbal, como "me dê um pastel" "eu quero alguns biscoitos", "eu aceito água, mas só um pouco".

Em contrapartida, os autoclíticos qualificadores indicam a intensidade, a força de um comportamento por meio de uma resposta verbal, como: "Eu estou muito triste" "Isto é um pouco constrangedor".

O que pode ser confundido com o Autoclítico Quantificador, porém nas situações citadas anteriormente não estão sendo referidos questões quantitativas e sim a intensidade de uma ação e/ou emoção. Autoclíticos Relacionais envolvem gramática e sintaxe, assim como sufixos indicadores de plural, relações de posse, conjunções, preposições, concordância de número e de gênero, pontuação, entonação, entre outras. Eles são cruciais na linguagem humana, permitindo que as pessoas expressem uma ampla gama de significados e nuances.

        Além disso, são bons mecanismos para demonstrar como as palavras e as respostas verbais são influenciadas pelo contexto e pelas consequências, refletindo a complexidade da linguagem como um comportamento operante sofisticado. 4 Portanto, os autoclíticos desempenham um papel essencial na análise do comportamento verbal, pois mostram como elementos linguísticos especiais podem modificar e enriquecer a comunicação humana, ilustrando como a linguagem é mais do que apenas palavras, é um sistema complexo de comportamento que se adapta e se transforma para transmitir uma ampla gama de significados e intenções

  

Comportamento Verbal:

Operantes verbais primários temáticos - Tato, Mando e Intraverbal

Introdução O Comportamento Verbal (Skinner, 1957) é dividido em grupos de comportamentos elencados pelo nível de complexidade envolvido.

O segundo grupo é chamado de Operantes Verbais Primários Temáticos e é constituído pelo Tato, Mando e Intraverbal, sendo que tais comportamentos servem como estrutura para aprendizagens ainda mais elaboradas, envolvendo a comunicação e interação social.

Apesar de existir conceitos específicos para cada comportamento, é importante ressaltar que estes podem se difundir, ou seja, um mesmo comportamento pode envolver mais de um Operante Verbal, o que chamamos de Controle Múltiplo.

Este grupo de Operantes não possui uma relação ponta a ponta como nos Operantes Verbais Primários Formais, mas ainda assim possuem relação com a tríplice contingência por meio da Análise Funcional do Comportamento, analisando o estímulo antecedente (o que antecede o comportamento alvo), a resposta emitida (o comportamento) mantida pela motivação da consequência oferecida (o que ocorre após o comportamento ser emitido). Compreendendo os Operantes Verbais Este operante consiste em nomear, identificar e/ou descrever itens por meio de uma resposta verbal vocal (falada), escrita, gestos (apontando) ou sinais (Libras), controlada por um estímulo antecedente não verbal (como um objeto), ou seja, a partir de um estímulo não verbal que pode ou não estar presente, o indivíduo emite o comportamento de descrever ou nomeá-lo.

Exemplo: ao observar uma casa, a criança diz “é uma casa”; ao lembrar de um cavalo, ela diz “estou pensando em um animal grande da fazenda” (descreveu o item). Este operante é ligado ao comportamento de solicitar itens ou se esquivar deles. Skinner (1957) observa que se trata de uma resposta verbal vocal ou motora controlada por um estímulo antecedente não verbal a partir da motivação em estados de privação ou situações aversivas, ou seja, para solicitarmos algo é necessário que estejamos privado do acesso deste, não faz sentido pedir por água se estamos com um copo de água na mão, mas assim como solicitamos o acesso a diferentes itens, solicitamos também que estes sejam retirados, como pedir para que alguém pare de falar sobre determinado assunto ou solicitar que a pessoa vá embora, por exemplo.

 Este é o operante mais complexo da categoria, sendo necessário primeiro desenvolver as habilidades anteriormente citadas para depois iniciar o ensino deste. Ele representa uma resposta verbal vocal, motora escrita controlada por um estímulo antecedente verbal vocal, visual e/ou escrito.

 É um comportamento formado por cadeias de comportamentos verbais, ou seja, uma série de comportamentos verbais em sequência, como realizar trocas com uma terceira pessoa a partir das sequências de falas em um diálogo, respondendo perguntas, completando frases, cantando músicas, completando sequências como quando a professora diz: “1, 2, 3” e os alunos continuam “4, 5, 6”.

Ainda dentro do aspecto intraverbal, temos os comportamentos formais e os informais, que consistem nas habilidades que são aprendidas naturalmente e aquelas que necessitam de uma estruturação ou que comumente são desenvolvidas em um ambiente estruturado, como aprender a sequência do alfabeto na escola (operante intraverbal formal) ou aprender a responder a idade quando alguém da família pergunta (operante intraverbal informal).

 

Comportamento Verbal:

Operantes verbais primários formais

– Ecoico, Ditado, Cópia, Textual

 

Introdução Skinner (1957) divide o Comportamento Verbal em grupos de comportamentos elencados pelo nível de complexidade envolvido.

O primeiro grupo é chamado de Operantes Verbais Primários Formais, sendo eles: Ecoico, Ditado, Cópia e Textual, uma vez que tais comportamentos são a base para a interação social, constituindo os pré-requisitos necessários para o desenvolvimento de aprendizagens mais complexas.

 As características deste grupo se definem pela forma de controle por meio do tríplice contingência, ou seja, por meio da relação entre o estímulo antecedente (o que antecede o comportamento alvo), a resposta emitida (o comportamento) e mantida pela motivação da consequência oferecida (o que ocorre após o comportamento ser emitido).

Como exemplo, imagine que ao sentir sede (estímulo antecedente), a criança diz “água” (o comportamento) e em seguida sua mãe traz a bebida (consequência), o que a motiva a dizer novamente “água” ao sentir sede.

Portanto, há uma correspondência clara entre a resposta e o estímulo, apesar de se diferenciarem na modalidade. Conhecendo os operantes verbais O Operante Verbal Ecoico, também chamado de comportamento de repetição vocal, é uma resposta verbal vocal (falada) controlada por um estímulo antecedente verbal auditivo, ou seja, a partir de um som ouvido, o indivíduo emite o comportamento de repetir o mesmo som. Exemplo: ao ouvir “lápis”, a criança diz “lápis”, ou seja, tanto a resposta/comportamento como o estímulo são vocais.

O Operante Verbal Ditado é uma resposta verbal motora escrita controlada por um estímulo antecedente verbal auditivo, ou seja, a partir de um som dito por alguém, o indivíduo emite o comportamento de representá-lo por meio de sinais gráficos, como as letras. Exemplo: ao ouvir “cavalo”, a criança escreve “CAVALO”.

Nesse contexto, a resposta/comportamento verbal é de escrever e o estímulo verbal é auditivo por meio da vocalização de uma outra pessoa. O Operante Verbal Cópia é uma resposta verbal motora escrita controlada por um estímulo antecedente verbal visual, ou seja, a partir da visualização de um estímulo, o indivíduo consegue representá-lo de forma gráfica, seja por meio de desenhos, letras, números, seguindo/copiando o modelo apresentado. Neste caso temos uma resposta verbal escrita e o estímulo é visual por meio de um modelo.

Por fim, o Operante Verbal Textual é uma resposta verbal vocal controlada por um estímulo antecedente verbal visual, ou seja, a partir de uma representação gráfica, seja letras, números ou outro símbolo, o indivíduo decodifica e nomeia/lê o que está sendo observado. Exemplo: ao observar a palavra “VACA” escrita, a criança nomeia “Vaca”.

Uma resposta verbal Vocal e o estímulo antecedente é visual. Segundo Gomes e Silveira (2016), para que um indivíduo desenvolva os Operantes Verbais de maneira satisfatória, é necessário que antes tenha adquirido habilidades prévias chamadas de pré-requisitos, sendo elas: Contato visual, Esperar, Imitação motora (Grossa 6 e Fina) e as habilidades Receptivas que são aquelas voltadas para o vocabulário, pois é ele que traz sentido ao que é falado, escrito e lido nos diferentes Operantes Verbais.

Como procedimento para o desenvolvimento de tais habilidades, destaca-se a necessidade de garantir a motivação do aprendiz, pois segundo Skinner (1957) um comportamento Operante, ou seja, o comportamento aprendido, só se mantém se este for reforçado, se houver uma consequência que motive o indivíduo a manter o comportamento emitido.

Deve-se também realizar uma avaliação para analisar se houve o desenvolvimento dos pré-requisitos e desenvolvê-los à medida que for necessário, oferecendo oportunidades claras e objetivas do comportamento esperado, diminuindo gradativamente a ajuda oferecida para que o aprendiz desempenhe o comportamento esperado, enriquecendo e sistematizando as habilidades já adquiridas para posteriormente inserir novos repertórios.

25 de ago. de 2022

 

O comportamento verbal

 

O imbróglio entre Skinner e Chomsky Em 1957, B. F. Skinner publicou o livro Verbal Behavior, que em tradução livre significa Comportamento Verbal, que recebeu inúmeras críticas por ter sido um grande divisor de águas para a compreensão sobre a comunicação humana como um processo restrito apenas à vocalização de palavras.

Um dos estudiosos mais críticos dessa perspectiva foi Noam Chomsky, reconhecido linguista precursor do Gerativismo, responsável por gerar um

a influência política considerável capaz de provocar o “adormecimento” do livro por anos. Bandini e Rose (2010, p. 21-22) destacam que "embora a abordagem de Chomsky seja linguística, seu impacto na Psicologia Cognitiva foi tanto que muitos a tomaram como sinal do fim da abordagem behaviorista do comportamento verbal.

Um de seus argumentos basilares foi o de que Skinner não conseguiria tratar da geratividade verbal. Esta seria uma falha irremediável, visto que, para Chomsky, a própria diferenciação entre os seres humanos e os demais animais ou máquinas residiria na possibilidade de produção gerativa da linguagem humana".

Alguns estudiosos afirmam que as críticas de Chomsky eram, na verdade, opiniões pessoais sem embasamento científico, o que fez com que o livro de Skinner fosse novamente ganhando forças, causando grande impacto ao ser adotado como uma metodologia de Programa de Estudos, visto que apesar de seu vasto conhecimento acerca do tema, visto a sua formação em Letras e doutorado na área, uma vez voltado para a Psicologia, não aplicou os estudos de maneira estatística.

Apesar disto, mediante os dados trazidos por meio da aplicação das ferramentas expostas em sua extensa e complexa obra, é possível reunir evidências consideráveis que comprovam a maneira como a comunicação é desenvolvida na sociedade humana.

O que é comportamento verbal Segundo Skinner, o Comportamento Verbal se trata de um comportamento Operante, ou seja, um comportamento aprendido e não algo inato que não requer interação com o meio para que seja desenvolvido.

Logo, ele é todo comportamento que envolve a interação de um indivíduo com uma terceira pessoa, cujo fruto deste processo interativo resulta em um reforço, algo que motive o indivíduo a se comportar novamente do mesmo modo, ainda que em outras situações. Skinner (1978, p. 46) explica que "qualquer operante, verbal ou de outro tipo, adquire força e continua a ser mantido quando as respostas costumam ser seguidas por um acontecimento chamado “reforço”.o processo de "condicionamento operante" é mais evidente quando o comportamento verbal é adquirido inicialmente.

Os pais constroem um repertório de respostas na criança reforçando muitos casos particulares de uma resposta". Tomemos como exemplo uma situação onde alguém diz “Água” e em seguida recebe um copo de água, porém, se um brasileiro solicita “água” no Japão, provavelmente este comportamento não será reforçado/motivado, pois não compreenderão do que se trata, ou seja, este não seria um Comportamento Verbal.

A grande sacada do autor está em afirmar que esta relação não é restrita apenas a falar palavras e sons, mas toda e qualquer forma de se fazer compreendido aprendida de forma cultural, como escrever em um pedaço de papel a palavra “água” para que busquem-na ou fazer o sinal de “água” em Libras para que tragam o líquido.

Pensando nisto, Skinner dividiu tal comportamento em Operantes Verbais, envolvendo: Ecoico, Ditado, Cópia, Textual, Tato, Mando, Intraverbal e Autoclítico, que possuem diferentes características na forma de se expressar.

Por fim, é importante compreender que de acordo com estes estudos, para considerarmos um indivíduo como "Não Verbal", é necessário que seja observado a ocorrência de prejuízos que impactam sua funcionalidade tanto na comunicação como na expressão.

A distinção destes dois conceitos é determinante para compreender que uma pessoa pode não conseguir pronunciar “água”, seja por impedimentos físicos, neurológicos ou de outras origens, mas talvez seja capaz de entregar um copo de água ao ouvir “água”, demonstrando possuir um bom repertório de ouvinte, ou seja, de compreensão.

Dito isto, a Ecolalia (repetições constantes sem intenção de se comunicar) não é considerada um Operante Verbal, pois apesar de envolver a vocalização de palavras, o indivíduo não se comporta com a intenção de acessar o item nomeado, se trata da pronúncia de palavras, frases e sons descontextualizados.

 


20 de jun. de 2022

 

Ética e a análise do comportamento

Ética e a Análise do Comportamento Em um campo fundamentado na observação empírica e na aplicação de princípios científicos para promover mudanças comportamentais, a ética não apenas regula as ações do analista do comportamento, mas também protege a dignidade e os direitos dos clientes e participantes.

A prática da Análise do Comportamento está vinculada à ética, tanto na definição dos objetivos das intervenções quanto na escolha dos procedimentos empregados. A ética é uma plavara derivada do grego ethos e pode ser compreendida como o conjunto de princípios que orientam as ações humanas no sentido do que é considerado correto, justo e responsável, transcendendo regras escritas e abrangendo valores morais que visam o bem-estar individual e coletivo.

No contexto da Análise do Comportamento, a atuação ética é fundamentada no compromisso com o bem-estar do indivíduo, a dignidade humana, a autonomia e a justiça. Tais princípios não constituem meras abstrações, mas orientam concretamente a conduta do analista, desde a avaliação inicial até o encerramento da intervenção.

Segundo o Ethics Code for Behavior Analysts, a prática profissional exige a utilização de procedimentos baseados em evidências científicas, a adequada comunicação com os clientes e a proteção da confidencialidade das informações (BACB, 2022). Ademais, é imposta a consideração dos impactos sociais, culturais e contextuais das intervenções realizadas.

Como enfatiza Oliveira (2003), a ética transcende o simples cumprimento de normas, manifestando-se em decisões cotidianas que demandam o equilíbrio entre ciência, técnica e responsabilidade social.

No contexto brasileiro, os analistas do comportamento devem ainda observar as disposições do Código de Ética Profissional do Psicólogo, especialmente em situações que envolvam sobreposição de papéis profissionais ou vulnerabilidade do indivíduo atendido (CFP, 2005). Com isso, a integração entre as diretrizes nacionais e internacionais contribui para o fortalecimento de uma prática sensível às especificidades culturais e comprometida com a promoção dos direitos humanos.

Procedimentos Éticos: Consentimento, Sigilo e Avaliação de Riscos Entre os pilares éticos fundamentais na Análise do Comportamento, destacam-se o consentimento informado, o sigilo profissional e a avaliação cuidadosa dos riscos e benefícios.

O consentimento informado consiste em assegurar que o indivíduo, ou seu responsável legal, compreenda plenamente os objetivos, métodos e possíveis efeitos da intervenção, mantendo a liberdade para aceitá-la ou recusá-la a qualquer momento.

Esse princípio está relacionado à promoção da autonomia, especialmente em populações em situação de vulnerabilidade, como crianças, pessoas com deficiência ou idosos institucionalizados.

O sigilo profissional, por sua vez, transcende a esfera de uma obrigação legal e representa uma expressão concreta de respeito à privacidade e à integridade do sujeito.

O Código de Ética Profissional do Psicólogo, por exemplo, estabelece que a divulgação de informações somente pode ocorrer mediante autorização expressa do cliente ou em circunstâncias previstas pela legislação vigente (CFP, 2005).

Adicionalmente, a análise dos riscos e benefícios de cada procedimento é imprescindível para uma atuação ética e responsável. Neste cenário, Marin, Faleiros e Moraes (2020) salientam que o emprego de técnicas aversivas ou punitivas, ainda que apresentem aparente eficácia, deve ser rigorosamente avaliado, priorizando-se intervenções baseadas em estratégias de reforçamento positivo e no ensino de habilidades alternativas.

Por isso, a escolha de procedimentos menos intrusivos, aliada ao 6 monitoramento contínuo dos efeitos colaterais, reflete o compromisso ético com a não maleficência e com a promoção da qualidade de vida do indivíduo atendido.

Dilemas éticos e o exercício da reflexividade profissional A prática da Análise do Comportamento frequentemente coloca o profissional diante de dilemas éticos, nos quais diferentes valores entram em conflito e em situações como essas, não há soluções automáticas.

Para isso, é necessário exercitar a reflexividade profissional e a capacidade de analisar criticamente o próprio posicionamento, as circunstâncias envolvidas e os possíveis desfechos das decisões tomadas. Um exemplo clássico envolve o uso de reforçadores considerados socialmente problemáticos, como alimentos industrializados ou acesso prolongado a telas digitais.

Em certos contextos, tais estímulos podem ser eficazes para a aprendizagem, mas também levantar questionamentos sobre seus impactos a longo prazo. A reflexão ética não busca respostas absolutas, mas ponderações fundamentadas, culturalmente sensíveis e cientificamente embasadas.

De acordo com Catania (1999), o comportamento do analista deve ser moldado não apenas pelas contingências imediatas, mas também por uma postura ética duradoura, que o leve a questionar, ajustar e melhorar constantemente sua atuação.

Essa reflexividade é favorecida por supervisões críticas, trocas entre colegas, estudos de caso e participação em instâncias profissionais, como comissões de ética e associações científicas.

A ética na Análise do Comportamento não é uma camada posterior à técnica, mas sua base essencial. Ao sustentar intervenções que respeitam os direitos dos sujeitos, consideram os impactos sociais e promovem a autonomia, o analista do comportamento fortalece a credibilidade da ciência e seu potencial de transformação social.

As decisões éticas exigem conhecimento, empatia e disposição para o diálogo.

Por isso, a formação do analista não deve contemplar apenas os aspectos técnicos da ABA, mas desenvolver também uma postura ética reflexiva e comprometida com os valores humanos. Como toda ciência aplicada, a Análise do Comportamento encontra na ética seu limite e sua potência.

9 de jun. de 2022

 

Princípios Básicos da Análise do Comportamento II –

Introdução à Análise do Comportamento Aplicada 

Princípios Básicos da Análise do Comportamento II - A Tríplice contingência e os conceitos de Reforço, Punição e Extinção e Análise Funcional Tríplice Contingência, Reforço, Punição, Extinção e Análise Funcional

Na essência da Análise do Comportamento reside o modelo conceitual da Tríplice Contingência, o qual estrutura a relação funcional entre o ambiente e o comportamento humano.

Essa estrutura analítica, originalmente proposta por B.F. Skinner (1904-1990), compreende três elementos fundamentais: o estímulo antecedente (ou discriminativo), a resposta comportamental e a consequência.

A interação entre esses elementos constitui a base para a análise, previsão e modificação do comportamento, sempre ancorada em evidências empíricas.

De acordo com Catania (1999), a tríplice contingência representa a “unidade básica de análise” do comportamento operante, sendo o comportamento determinado pela função que desempenha no ambiente, em vez de sua forma ou topografia.

Essa distinção conceitual é fundamental para o trabalho do analista do comportamento, pois permite direcionar intervenções que não se limitam à modificação da forma do comportamento, mas que buscam intervir diretamente em sua função adaptativa ou disfuncional.

Neste cenário, Fernandes e Amanto (2013) ressaltam a importância de compreender a função do comportamento para a elaboração de intervenções efetivas, dado que tal compreensão possibilita identificar os estímulos antecedentes e consequentes que mantêm ou reforçam determinada conduta.

Com isso, a tríplice contingência transcende seu caráter de modelo explicativo, configurando-se como um recurso prático e ético no contexto da prática profissional em Análise do Comportamento e sua aplicação, em conjunto com a análise funcional, contribui para a formulação de estratégias de intervenção individualizadas, baseadas no entendimento das contingências específicas que governam o comportamento do indivíduo em seu ambiente natural.

Conceitos Fundamentais: Reforço, Punição e Extinção Dentro da estrutura conceitual da Análise do Comportamento, o papel das consequências é central para compreender e intervir sobre o comportamento humano.

Três categorias principais organizam essas relações: reforço, punição e extinção, sendo que cada uma delas opera de maneira distinta e possui efeitos específicos sobre a probabilidade futura de um comportamento ocorrer.

 Reforço

O reforço é definido como qualquer consequência que, contingente à ocorrência de um comportamento, aumenta a probabilidade de que esse comportamento venha a ocorrer novamente no futuro e essa consequência pode assumir duas formas distintas: reforço positivo e negativo.

Positivo

 O reforço positivo ocorre quando há a apresentação ou acréscimo de um estímulo reforçador ao ambiente, geralmente algo desejável ou agradável para o indivíduo, imediatamente após a manifestação do comportamento.

Já o reforço negativo caracteriza-se pela remoção ou redução de um estímulo aversivo ou desagradável, também contingente à resposta comportamental, resultando igualmente no aumento da frequência do comportamento.

 Exemplo de reforço positivo: um estudante recebe elogios do professor cada vez que entrega a tarefa no prazo. Os elogios funcionam como reforçadores positivos, aumentando a probabilidade de que o estudante continue entregando suas atividades pontualmente.

Exemplo de reforço negativo: um trabalhador conclui sua tarefa antes do horário para evitar uma conversa com o supervisor, que costuma ser incômoda. A remoção da interação aversiva (o supervisor) reforça negativamente o comportamento de concluir a tarefa rapidamente.

Neste viés, é importante destacar que, em ambos os casos, o efeito central do reforço consiste em elevar a probabilidade futura de emissão do comportamento reforçado, independentemente de a consequência envolver a adição ou a retirada de estímulos.

Dessa forma, o reforço, seja ele positivo ou negativo, desempenha papel fundamental nos processos de aprendizagem e modificação comportamental, servindo como um dos principais mecanismos explicativos da Análise do Comportamento.

 Punição

A punição, por sua vez, consiste na consequência que reduz a probabilidade de um comportamento voltar a ocorrer no futuro. Assim como o reforço, pode ser positiva, quando envolve a apresentação de um estímulo aversivo, ou negativa, quando resulta na remoção de um estímulo reforçador.

Contudo, a aplicação da punição suscita importantes questões éticas, exigindo uma avaliação criteriosa de sua necessidade, proporcionalidade e possíveis efeitos colaterais.

Exemplo de punição positiva: um aluno que fala sem permissão na aula é advertido verbalmente pelo professor.

A advertência (estímulo aversivo apresentado) reduz a probabilidade de o aluno repetir o comportamento.

Exemplo de punição negativa: um adolescente perde o acesso ao celular por não cumprir suas tarefas domésticas. A retirada do celular (estímulo reforçador) reduz a frequência do comportamento de negligenciar as tarefas. Neste cenário, Sidman (2001) alerta que o uso da punição, especialmente a punitiva positiva, pode gerar efeitos colaterais como ansiedade, fuga ou agressividade.

Por isso, é recomendado sempre priorizar estratégias baseadas em reforço positivo e ensino de habilidades alternativas. Extinção A extinção difere tanto do reforço quanto da punição, pois consiste na interrupção sistemática do reforço que sustentava determinado comportamento.

Ao deixar de fornecer a consequência que anteriormente fortalecia essa conduta, na extinção é esperada que a frequência da resposta diminua gradualmente. Entretanto, o sucesso desse processo depende da persistência e da consistência por parte da equipe envolvida.

Exemplo de extinção: uma criança faz birra quando deseja um doce e os pais cedem. Se os pais param de entregar o doce após a birra, com o tempo, o comportamento tende a reduzir, desde que não haja reforço intermitente.

Contudo, pode haver um aumento inicial da intensidade ou frequência da birra (chamado de burst de extinção), antes de sua diminuição efetiva (Ferraz et al., 2013).

Essa categoria não ensina novos comportamentos, apenas enfraquece o comportamento existente. Por isso, deve ser combinada com estratégias de reforço para respostas desejadas, criando um ambiente que favoreça comportamentos funcionais e socialmente aceitáveis. Análise Funcional: Avaliação e Intervenção com Base em Funções A análise funcional é uma metodologia sistemática que busca identificar a função de um comportamento a partir de sua relação com o ambiente.

Trata-se de uma ferramenta essencial para o planejamento de intervenções eficazes, pois revela as contingências que mantêm determinado comportamento e orienta sua substituição por respostas mais adaptativas.

 Marin, Faleiros e Moraes (2020) destacam que a análise funcional permite compreender os comportamentos como estratégias do indivíduo para obter reforço, evitar estímulos aversivos ou acessar condições desejadas.

Existem diferentes formas de realizar uma análise funcional, incluindo métodos indiretos (como entrevistas e questionários), observacionais e experimentais. A análise funcional experimental, proposta por Iwata et al. (1994) é considerada a referência nessa área por manipular sistematicamente as condições antecedentes e consequentes, identificando com precisão a função do comportamento. Oliveira (2003) enfatiza que a análise funcional não deve ser um fim em si mesma, mas sim um meio de garantir intervenções individualizadas, seguras e eticamente fundamentadas.

Por meio de sua aplicação, torna-se possível não apenas reduzir comportamentos-problema, mas também promover habilidades funcionais que favoreçam a inclusão social e melhorem a qualidade de vida.

A tríplice contingência representa o núcleo conceitual da Análise do Comportamento, ao descrever a relação funcional entre estímulos, respostas e consequências.

Compreender como o reforço, a punição e a extinção operam sobre essas contingências permite ao analista do comportamento atuar com precisão técnica e responsabilidade ética. A análise funcional, por sua vez, oferece as bases para a avaliação individualizada e o desenvolvimento de intervenções eficazes, alinhadas às necessidades do sujeito e aos princípios da ciência comportamental.

Ao integrar teoria e prática, a ABA reafirma seu compromisso com a transformação social, com a dignidade do indivíduo e com a promoção de comportamentos socialmente relevantes.

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!
Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.Amigo é a base quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!
Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

Oração do Professor


"Obrigado, Senhor, por atribuir-me a missão de ensinar e por fazer de mim uma professora no mundo da educação.

Eu te agradeço pelo compromisso de formar tantas pessoas e te ofereço todos os meus dons.

São grandes os desafios de cada dia, mas é gratificante ver os objetivos alcançados, na raça de servir, colaborar e ampliar os horizontes do conhecimento.

Quero celebrar as minhas conquistas exaltando também o sofrimento que me fez crescer e evoluir.

Quero renovar cada dia a coragem de sempre recomeçar.

Senhor!

Inspira-me na minha vocação de mestre e comunicador para melhor poder servir.

Abençoa todos os que se empenham neste trabalho iluminando-lhes o caminho.

Obrigado, meu Deus, pelo dom da vida e por fazer de mim uma educadora consciente, comprometida hoje e sempre. Amém!"