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25 de ago. de 2022

 

O comportamento verbal

 

O imbróglio entre Skinner e Chomsky Em 1957, B. F. Skinner publicou o livro Verbal Behavior, que em tradução livre significa Comportamento Verbal, que recebeu inúmeras críticas por ter sido um grande divisor de águas para a compreensão sobre a comunicação humana como um processo restrito apenas à vocalização de palavras.

Um dos estudiosos mais críticos dessa perspectiva foi Noam Chomsky, reconhecido linguista precursor do Gerativismo, responsável por gerar um

a influência política considerável capaz de provocar o “adormecimento” do livro por anos. Bandini e Rose (2010, p. 21-22) destacam que "embora a abordagem de Chomsky seja linguística, seu impacto na Psicologia Cognitiva foi tanto que muitos a tomaram como sinal do fim da abordagem behaviorista do comportamento verbal.

Um de seus argumentos basilares foi o de que Skinner não conseguiria tratar da geratividade verbal. Esta seria uma falha irremediável, visto que, para Chomsky, a própria diferenciação entre os seres humanos e os demais animais ou máquinas residiria na possibilidade de produção gerativa da linguagem humana".

Alguns estudiosos afirmam que as críticas de Chomsky eram, na verdade, opiniões pessoais sem embasamento científico, o que fez com que o livro de Skinner fosse novamente ganhando forças, causando grande impacto ao ser adotado como uma metodologia de Programa de Estudos, visto que apesar de seu vasto conhecimento acerca do tema, visto a sua formação em Letras e doutorado na área, uma vez voltado para a Psicologia, não aplicou os estudos de maneira estatística.

Apesar disto, mediante os dados trazidos por meio da aplicação das ferramentas expostas em sua extensa e complexa obra, é possível reunir evidências consideráveis que comprovam a maneira como a comunicação é desenvolvida na sociedade humana.

O que é comportamento verbal Segundo Skinner, o Comportamento Verbal se trata de um comportamento Operante, ou seja, um comportamento aprendido e não algo inato que não requer interação com o meio para que seja desenvolvido.

Logo, ele é todo comportamento que envolve a interação de um indivíduo com uma terceira pessoa, cujo fruto deste processo interativo resulta em um reforço, algo que motive o indivíduo a se comportar novamente do mesmo modo, ainda que em outras situações. Skinner (1978, p. 46) explica que "qualquer operante, verbal ou de outro tipo, adquire força e continua a ser mantido quando as respostas costumam ser seguidas por um acontecimento chamado “reforço”.o processo de "condicionamento operante" é mais evidente quando o comportamento verbal é adquirido inicialmente.

Os pais constroem um repertório de respostas na criança reforçando muitos casos particulares de uma resposta". Tomemos como exemplo uma situação onde alguém diz “Água” e em seguida recebe um copo de água, porém, se um brasileiro solicita “água” no Japão, provavelmente este comportamento não será reforçado/motivado, pois não compreenderão do que se trata, ou seja, este não seria um Comportamento Verbal.

A grande sacada do autor está em afirmar que esta relação não é restrita apenas a falar palavras e sons, mas toda e qualquer forma de se fazer compreendido aprendida de forma cultural, como escrever em um pedaço de papel a palavra “água” para que busquem-na ou fazer o sinal de “água” em Libras para que tragam o líquido.

Pensando nisto, Skinner dividiu tal comportamento em Operantes Verbais, envolvendo: Ecoico, Ditado, Cópia, Textual, Tato, Mando, Intraverbal e Autoclítico, que possuem diferentes características na forma de se expressar.

Por fim, é importante compreender que de acordo com estes estudos, para considerarmos um indivíduo como "Não Verbal", é necessário que seja observado a ocorrência de prejuízos que impactam sua funcionalidade tanto na comunicação como na expressão.

A distinção destes dois conceitos é determinante para compreender que uma pessoa pode não conseguir pronunciar “água”, seja por impedimentos físicos, neurológicos ou de outras origens, mas talvez seja capaz de entregar um copo de água ao ouvir “água”, demonstrando possuir um bom repertório de ouvinte, ou seja, de compreensão.

Dito isto, a Ecolalia (repetições constantes sem intenção de se comunicar) não é considerada um Operante Verbal, pois apesar de envolver a vocalização de palavras, o indivíduo não se comporta com a intenção de acessar o item nomeado, se trata da pronúncia de palavras, frases e sons descontextualizados.

 


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