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7 de dez. de 2022

 

O Manejo dos Antecedentes 

Intervenção baseada nos antecedentes ou manejo dos antecedentes, da sigla ABI (Antecedent-Based Interventions), é uma das 28 práticas baseadas em evidências da Análise do Comportamento Aplicada (ABA). O Manejo dos Antecedentes é um conjunto de práticas de modificações ambientais utilizadas para alterar as condições que influenciam o estudante autista a se engajar em um comportamento indesejado. Dessa forma, o antecedente é um evento, ação, circunstância ou condição que ocorre imediatamente antes de um comportamento, e o conhecimento desses antecedentes permite identificar as situações em que o comportamento foi reforçado ou punido e auxilia na previsibilidade do comportamento. Com isso, o objetivo do Manejo dos Antecedentes é identificar as condições em que os comportamentos indesejados ocorrem, para em seguida modificar o ambiente ou as atividades para que elas não provoquem tais comportamentos. 

As funções dos comportamentos no manejo de antecedentes

Todos os comportamentos do repertório de um indivíduo possuem uma função, ou seja, são direcionados para a satisfação de algum desejo ou necessidade. A análise da função dos comportamentos pode ser um elemento diferencial para iniciar intervenções baseadas nos antecedentes, já que a partir da análise da função dos comportamentos, é possível direcionar o olhar para o antecedente de forma proativa. Se um comportamento tiver a função de obter acesso à atenção, é possível identificar o antecedente que desencadeia tal comportamento e modificá-lo para que o acesso à atenção seja realizado de outras maneiras. Por exemplo, ao perceber que a professora está auxiliando outra criança em sua mesa de estudos, a criança autista se joga no chão e começa a se debater, esse comportamento tem a função de obter a atenção da professora. Imediatamente, a professora interrompe o atendimento que fazia e se dirige à criança autista, pergunta se está tudo bem e a abraça, fazendo cessar, neste momento, o comportamento indesejado.  

Em intervenções baseadas nos antecedentes, a orientação do profissional deverá considerar que em um comportamento com função de acesso à atenção, a criança com TEA deverá aprender outras formas de comportamento para chamar a atenção da professora, ou deverá esperar a sua vez de solicitar auxílio. Além de conhecer as funções dos comportamentos, o profissional também deve compreender os tipos de antecedentes.

 

Tipos de Antecedentes

Identificar os eventos antecedentes significa compreender toda a dinâmica de um comportamento em diferentes contextos, já que nenhum comportamento está isolado completamente de suas contingências ambientais. Os antecedentes são geralmente classificados em pelo menos três categorias: antecedentes físicos, antecedentes sociais e antecedentes temporais; e cada tipo pode influenciar um ou mais tipos de comportamentos indesejados.

Antecedentes Físicos

Os antecedentes físicos correspondem a todo o contexto do ambiente, aos objetos e aos recursos visuais, sonoros, gustativos, olfativos e táteis presentes ou disponíveis. Para intervir em um antecedente físico, o profissional deve analisar quais elementos do ambiente estão relacionados a determinado comportamento, e então agir para modificar o comportamento com base nesse antecedente.

Por exemplo, um estudante cobre a boca e se recusa a comer e joga o prato quando um alimento desconhecido é colocado em seu prato. Sem uma intervenção, a consequência mais comum seria retirar o alimento e permitir que o estudante coma apenas os alimentos preferidos. Com a intervenção baseada no antecedente (físico – o novo alimento), as estratégias podem incluir processos de apresentação simultânea – colocar o novo alimento junto com outros alimentos preferidos, esvanecimento de estímulos – introduzir o novo alimento de forma gradual até a aceitação completa, exposições repetidas – o novo alimento é apresentado várias vezes repetidamente, entre outras estratégias. Falaremos mais detalhadamente sobre esses procedimentos nos tópicos abaixo.

 

Antecedentes sociais

Os comportamentos indesejados também podem sofrer influência pela presença ou interação de determinadas pessoas ou pelo estabelecimento de regras explícitas ou implícitas. A maneira como as pessoas interagem, pessoas conhecidas ou desconhecidas presentes no ambiente e a forma como as regras são estabelecidas pode desencadear um tipo de comportamento indesejado.

Por exemplo, um estudante começa a bater em seu próprio rosto e destrói seu caderno quando o professor pede que ele complete a tarefa na sala de aula. O professor então se afasta e o estudante não precisa finalizar seu trabalho. Em uma das possíveis intervenções no antecedente, o professor diz ao aluno que irá ajudá-lo a terminar a tarefa e pede sua permissão para se sentar ao seu lado.

 Antecedentes Temporais

Os antecedentes temporais correspondem à rotina, aos eventos planejados ou não planejados, e aos momentos do dia. Estudantes com TEA podem ter grande apego às rotinas rígidas e bem delineadas, e frequentemente ficam desorganizados mesmo em pequenas mudanças em seu planejamento, por isso, os antecedentes temporais devem ser analisados de forma que permitam ao estudante flexibilizar sua rotina. Por exemplo, o estudante tem comportamentos agressivos pela manhã, quando precisa ser acordado para realizar tarefas como arrumar seu quarto ou estudar para uma prova. A mãe ou o pai do estudante então permitem que ele durma até mais tarde e em sequência arrumam seu quarto. Ao manejar o antecedente desse comportamento agressivo, a intervenção pode considerar realizar alterações na rotina de forma que, ao acordar, o estudante esteja ativo e disposto a realizar suas tarefas. O manejo pode envolver o estabelecimento de um horário fixo para se deitar e dormir, realizar a higiene do sono (um conjunto de atitudes e procedimentos que contribuem para a qualidade do sono) algumas horas antes do horário habitual e limitar o uso de equipamentos eletrônicos ou outros objetos que podem interferir na qualidade do sono.

 

Identificando elementos e implementando intervenções baseadas nos antecedentes

Antes de qualquer processo de intervenção, é essencial que o profissional proceda uma avaliação individual que contemple as especificidades comportamentais do estudante. Para isso, deve-se considerar uma série de perguntas que ajudam a guiar as intervenções e definir seus objetivos. Questões guia para uma avaliação eficiente:

ü  Onde o comportamento está ocorrendo?

ü  Com quem o comportamento ocorre?

ü  Quando o comportamento ocorre?

ü  Quais atividades parecem aumentar o comportamento?

ü  O que as outras pessoas estão fazendo quando o comportamento ocorre?

ü  Qual a proximidade das outras pessoas?

ü  Qual o nível de ruído no ambiente?

ü  Quantas pessoas estão no ambiente?

ü Quais outras condições ambientais e temporais estão presentes antes do comportamento?

ü  Qual a função do comportamento indesejado?

 

Passos para implementação de intervenção baseada no antecedente

1. Definição de objetivos claros e mensuráveis a serem atingidos.

2. Coleta de dados de frequência e duração do comportamento indesejado por um período mínimo.

3. Coleta de dados em diferentes ambientes, contextos e com diferentes pessoas.

4. Identificação de estratégias que abordam a função dos comportamentos indesejados para prevenir sua ocorrência.

5. Elaboração de um Plano Individual de Intervenção com objetivos semanais. 6. Identificação de materiais necessários.

7. Definição dos ambientes de intervenção.

 8. Monitoramento dos progressos do estudante.

Modelos de registro e Plano Individual de Intervenção

Os registros podem ser adotados com base em modelos disponíveis, ou elaborados pelo próprio profissional. A seguir estão algumas informações que a coleta de dados deve conter e um exemplo de plano de intervenção.

Comportamento observado.

Data.

Quantas vezes.

Local de ocorrência.

Reforçamento após a ocorrência.

Duração do comportamento (em minutos).

Hipótese de função do comportamento.

 

Procedimentos e Estratégias  Utilizar as preferências

Nessa estratégia de intervenção, o profissional deverá, durante a coleta de dados, identificar quais são as preferências do estudante, como brinquedos, objetos, alimentos, bebidas, momentos do dia ou pessoas. para assim, aumentar seu interesse em atividades que não envolvam o comportamento indesejado, por exemplo uso de figuras de personagens nos cadernos de tarefas escolares.

Alteração de horários e rotinas

Essa estratégia permite ao estudante se adequar aos diferentes momentos do dia e podem envolver determinar um tempo para realização de tarefas aversivas ao estudante, como, por exemplo, o estudante deverá permanecer sentado durante 5 minutos fazendo uma tarefa, e após esse tempo poderá receber um reforçador. A elaboração de tabelas com horários para cada atividade e fornecer atividades durante períodos de espera é uma técnica que auxilia no processo.

Elaboração de atividades prévias  Aquelas que provocam comportamentos indesejados

Para essa estratégia, a comunicação com o estudante é fundamental, e envolve fornecer avisos sobre as próximas atividade, conceder tempo de descanso durante uma atividade causadora de comportamentos indesejados, revisar tarefas e cronogramas antes dos eventos acontecerem.

Tomada de decisões

Permite ao estudante escolher materiais, tarefas e ambientes, como por exemplo escolher o lugar de se sentar para o lanche, escolher a ordem das atividades a serem realizadas, escolher brinquedos, escolher com quais colegas brincar.

 

Alteração do formato das instruções

Essa estratégia pode incluir elementos de comunicação alternativa. As instruções verbais podem ser substituídas por escrita ou cards com imagens que as representam, ou fornecidas em uma lista de verificação, com passo a passo e detalhes que muitas vezes são irrelevantes para pessoas típicas, mas podem ser significativas para pessoas autistas. Aprimorar o ambiente

Intervenções no ambiente devem favorecer o acesso a elementos que contribuem para comportamentos apropriados, por exemplo, permitir que o estudante manuseie massinha de modelar durante uma explicação expositiva na aula, em substituição ao comportamento de onicofagia, ou fornecer balanço para os pés para estimulação sensorial em substituição às estereotipias.

 Para concluir, é essencial que todos os processos de intervenção sejam acompanhados de ferramentas de registro e monitoramento e uma constante avaliação junto a todos os envolvidos, como professores, família, profissionais de outras áreas de atuação e do próprio estudante, sempre que possível. Essas ações colaboram para a revisão do plano e verificação da necessidade de modificações.

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Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!
Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.Amigo é a base quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!
Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

Oração do Professor


"Obrigado, Senhor, por atribuir-me a missão de ensinar e por fazer de mim uma professora no mundo da educação.

Eu te agradeço pelo compromisso de formar tantas pessoas e te ofereço todos os meus dons.

São grandes os desafios de cada dia, mas é gratificante ver os objetivos alcançados, na raça de servir, colaborar e ampliar os horizontes do conhecimento.

Quero celebrar as minhas conquistas exaltando também o sofrimento que me fez crescer e evoluir.

Quero renovar cada dia a coragem de sempre recomeçar.

Senhor!

Inspira-me na minha vocação de mestre e comunicador para melhor poder servir.

Abençoa todos os que se empenham neste trabalho iluminando-lhes o caminho.

Obrigado, meu Deus, pelo dom da vida e por fazer de mim uma educadora consciente, comprometida hoje e sempre. Amém!"