História do Autismo e sua definição
Historicamente,
o Autismo, termo definido por Kanner em 1943, passa por adequações envolvendo a
quebra do Capacitismo e melhor compreensão das potencialidades das pessoas com
o Transtorno. Kanner estudou 11 crianças que apresentavam comportamentos que as
diferenciavam das demais do grupo, apresentando prejuízos sociais,
comportamentos repetitivos, inflexibilidade, ecolalias, atraso de fala e
linguagem e determinou que tais sintomas não mais eram compreendidos como
Esquizofrenia Infantil, o que contribuiu significativamente na distinção do TEA
em relação aos demais transtornos existentes.
Porém,
seus estudos ganharam maior visibilidade após o autor classificar o Autismo
como perturbações relacionadas à questões afetivas e fortificou estudos e
teorias como "Mães Geladeira", que foram descritas no livro Fortaleza
Vazia, de Bruno Bettleheim, que impactou significativamente, de maneira
negativa, o avanço pela compreensão do tema na época, além de questões
culturais envolvendo a responsabilidade da família.
Hoje
compreendemos que o Transtorno do Espectro Autista não se define por questões
emocionais ou relações com seus pares (responsáveis) e sim por uma questão
neurológica com forte causa genética, eximindo, assim, a responsabilidade de
pais e mães pelas dificuldades enfrentadas pelos filhos ao lidarem com os
sintomas do Autismo.
É
de extrema importância o embasamento científico acerca do tema para que
informações pseudocientíficas não sejam propagadas, prejudicando o
desenvolvimento dos pacientes, compreensão da família e até mesmo de muitos
profissionais.
Com
o avanço da tecnologia e dos estudos realizados e atualizados constantemente, é
possível afirmar que 81% dos casos de Autismo possui causa predominante
genética herdada, por meio de alteração de genes provindos da mãe, do pai ou de
ambos; há ainda evidências de casos onde pais não apresentam alterações de
genes, sendo uma mutação individual chamada DE NOVO, não no sentido de se
repetir, apenas como nomenclatura para especificar uma mutação específica do
desenvolvimento neurológico do indivíduo; dados de 0,4 a 1,2% dos casos de
autismo possuem causa ambiental, mas não o ambiente de casa como muitos
compreendem e sim o ambiente uterino que pode ser modificado por meio de
intercorrências como medicações, uso de substâncias, falta de oxigenação, entre
outros fatores que influenciam na formação do feto, principalmente no primeiro
trimestre (PAIVA JÚNIOR, 2019).
Foi
comprovado também que existe um fator biológico que impacta na predominância do
Autismo em pessoas do sexo masculino, justificado pelo que chamamos de
"Teoria do Copo", a qual descreve a capacidade neurológica do cérebro
feminino em combater alterações que causem prejuízos em diferentes áreas do
desenvolvimento.
Também
explicado por um teste chamado Exame: Eye Tracking (Rastreamento do Olhar), em
que ao expor um objeto e o rosto de uma pessoa em frente a um bebê
recém-nascido com indicações de Autismo, foi constatado que meninas olham mais
para o ser humano, meninos para itens não humanos e crianças que olharam mais
de 70% para a tela, posteriormente foram diagnosticados com TEA, sendo entre
elas mais de 50% sexos masculino.4 O autismo no Brasil A história do autismo no
Brasil é relativamente recente e começou a ser mais conhecida a partir da
década de 1990.
Antes
disso, o autismo era pouco conhecido e diagnosticado no país, o que resultava
em muitas crianças sendo rotuladas erroneamente como preguiçosas, rebeldes ou
com problemas comportamentais.
Foi
somente em 1993 que o autismo foi incluído pela primeira vez no Manual
Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), da Associação Americana
de Psiquiatria, e isso contribuiu para que o autismo começasse a ser mais
estudado e diagnosticado no Brasil.
Somente
em 2004 o Ministério da Saúde reconheceu oficialmente o autismo como uma
deficiência, o que garantiu o acesso das pessoas com autismo aos serviços
públicos de saúde e educação.
Desde
então, houve um aumento significativo no número de diagnósticos no país, o que
contribuiu para a conscientização sobre o transtorno e para o desenvolvimento
de políticas públicas voltadas para a inclusão das pessoas com autismo na
sociedade.
Hoje,
existem diversas entidades e organizações que lutam pelos direitos das pessoas
com autismo no Brasil e oferecem suporte às famílias e aos indivíduos afetados
pelo transtorno.
Além
disso, é importante destacar que os estudos e as representações do autismo no
Brasil vêm passando por transformações nos últimos anos, sobretudo graças ao
aumento das pesquisas que visam desmistificar aspectos como informações
pautadas em achismos e sem qualquer cientificidade.
Ortega,
Zorzanelli e Rios (2016) observam ainda que a mídia tem um papel muito
importante na propagação de conhecimentos e informações sobre esse transtorno,
destacando que nos últimos anos houve um aumento na quantidade de material,
principalmente impresso, sobre a temática, ainda que esse seja um processo
controverso pois a representação desse grupo que era divulgada nem sempre era
um retrato próximo da realidade.
Cunha
e Araújo (2021) apresentam a perspectiva da inclusão educacional das crianças
com autismo, visto que por meio da Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014 foi
criado o Plano Nacional de Educação (PNE), que ampliou a discussão sobre os
processos de universalização da educação, ou seja, tratou da inclusão de
indivíduos com alguma deficiência, transtornos globais ou superdotação,
garantindo a eles acesso à educação básica.

Nenhum comentário:
Postar um comentário